domingo, 17 de abril de 2016

Câmara autoriza que Senado prossiga com o golpe de Estado


A votação deixou claro que os parlamentares ligados à extrema direita formam maioria de 2/3 da Câmara para o prosseguimento do golpe de Estado, em curso

Por Redação – de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo
No escore de 127 votos contra o golpe de Estado, em curso no país, e 342 a favor do prosseguimento da ação contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff, a Câmara dos Deputados – sob a presidência de Eduardo Cunha, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção e formação de quadrilha – autorizou que o Senado passe, agora, conduzir a tentativa de derrubar o governo eleito em 2014.
Temer posa para foto, com um sorriso, enquanto assiste à votação na Câmara
Temer posa para foto, com um sorriso, enquanto assiste à votação na Câmara
A votação deixou claro que os parlamentares ligados à extrema direita formam a maioria de dois terços da Câmara. Muitos votaram em respeito aos seus netos, Pedro, Bruno, Felipe, “pela minha mãe Nega Lucimar”, “pela família Quadrangular”, “pela renovação carismática” e tantos outros motivos, alheios ao real motivo que seriam as supostas ‘pedaladas fiscais’ da presidenta Dilma. O fato foi lembrado por aqueles parlamentares que votaram contra a continuidade do processo.

‘Efeito manada’

“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia” afirmou, lembrando a canção de Chico Buarque, a ativista e blogueira Conceição Oliveira, do blog Maria Frô, em referência aos deputados que votaram favoravelmente ao prosseguimento do processo deimpeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Para a ativista digital, a votação do processo do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no Plenário da Câmara neste domingo, foi tomada por um “efeito manada”, levando parlamentares a ampliar a votação pelo impeachment.
– Um Congresso fisiológico, votando só pelos seus próprios interesses e se dizendo em nome do povo – afirmou ao site de notícias Rede Brasil Atual (RBA), para explicar que muitos parlamentares acabam seguindo a maioria em sua votação pelo prosseguimento do afastamento de Dilma.
Fazem isso, de acordo com Conceição, pois não possuem ideologia. “Precisamos ter clareza que não tem como funcionar um governo progressista com um Congresso deste jeito. Esses caras não podem ser eleitos novamente”, disse.
– Isso era esperado, é um salve-se quem puder – lamentou a ativista.
Entretanto, em sua avaliação, haverá forte reação por parte dos setores da sociedade que se colocam em defesa da democracia.
– Não vamos deixar o Cunha em paz. O Temer não tem legitimidade. Não respeitaremos este governo. Se eles não respeitam a regra, acabou, não tem como as pessoas acatarem um governo assim – afirmou.
Para Conceição, a saída para preservar a democracia, contra o golpe, continuará sendo em mobilizações em massa. Ela disse ainda que os parlamentares que votam pelo prosseguimento do impeachment sem base jurídica, “jogam 54 milhões de votos no lixo (…) e devem ir para o lixo da história. Nossa força está na nossa mobilização, que não vai parar.”
– Esses indivíduos merecem o lixo da história. Eles não representam o povo. Insisto, mobilização. Nos sentimos roubados, roubaram nosso voto, a democracia e a cidadania – afirma Conceição.

Ponto alto

Em um dos momentos mais exaltados da votação, na Câmara, o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) voltou a proferir um duro discurso contra o presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável pela condução do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Segundo o parlamentar, o rito é um “farsa conduzida por um ladrão”, “apoiada por covardes, canalhas”. A declaração foi concedida no plenário da Câmara, neste domingo, dia da votação do impeachment da presidente. Em vídeo publicado na internet, Wyllys já havia dito que o peemedebista é um “gângster”.
– Eu sou oposição ao governo Dilma, mas ela foi legitimamente eleita. Questionar a eleição dela é questionar a minha eleição. Qualquer alternativa contrária, é golpe e oportunismo. Não estou em defesa da Dilma nem do PT, estou em defesa da democracia – concluiu.

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