quarta-feira, 13 de abril de 2016

As 20 maiores fraudes da história do pop


Vocalistas que não cantam, músicos que não tocam, compositores que copiam...

Rihanna, Milli Vanilli e Oasis, fraudes do pop.
“Sua voz! Você me prometeu sua voz! Não se lembra do nosso contrato?”. As frases do magnata Swan no filme O Fantasma do Paraíso (Brian de Palma, 1976) resumem muito bem os obscuros meandros da indústria discográfica. No filme, vemos um produtor diabólico e implacável criar e destruir artistas, apropriar-se de canções alheias e perseguir o sucesso a todo custo.
Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Desde que o pop é pop, o plágio, a fraude, o roubo e a trapaça são moeda corrente. Neste negócio (e em muitos outros) as aparências enganam e, às vezes, o cantor que aparece nos vídeos não é quem canta, nem o que canta fica com a grana, nem o que compõe é quem aparece nos créditos. O pop é uma selva cheia de armadilhas e miragens; resta ao sofrido público desmascará-los e permanecer atento.
1. Milli Vanilli: um Grammy e milhões de vendas para fazer playback. Em 1987, o produtor discográfico alemão Frank Farian descobriu o francês Fob Morvan e o alemão Rob Pilatus, dois mulatos que dançavam com a cantora Sabrina. Aos olhos de Farian, aquela dupla exótica tinha tudo para triunfar: talento para a dança, desenvoltura e sex appeal. Como não sabiam cantar, o produtor contratou dois vocalistas e um punhado de músicos: eles gravariam os discos, enquanto Fav e Rob moviam as bocas e o esqueleto. Resultado? Venderam milhões de discos e receberam um Grammy.
Milli Vanilli, grandes impostores.  Getty
A decepção chegou em 1990, quando um tal de Charles Shaw confessou em um jornal que era ele quem cantava nos discos e que Milli Vanilli eram um par de impostores. Desesperando-se, Rob e Fav pediram a Frank Farian que os acobertasse, mas, receando aumentar o vexame, o produtor optou por reconhecer a verdade publicamente. Pouco depois, a dupla perdeu seu Grammy e foi expulsa de seu selo discográfico.
Depois do escândalo, os Milli gravaram um disco com suas vozes verdadeiras, mas ninguém mais acreditava neles. Rob não assimilou bem o fracasso e acabou morto por overdose em 1998.
2. Jordy: o menino cantor traído pelos pais. Marisol, Joselito, Nikka Costa… Casos de crianças cantoras existem aos montes, mas nenhum tão precoce e tão fugaz como o do francês Jordy. Seu primeiro êxito, com apenas quatro anos, foi Dur Dur d’Être Bébé! (1992), onde, sobre uma base dance, o menino balbuciava uma letra sobre as tribulações de ser pequeno. Os responsáveis pela música eram seus pais, o produtor Claude Lemoine e a compositora Patricia Clerget, que enriqueceram graças à simpatia do filho. Com seu primeiro disco, Jordy entrou no Livro Guiness de Records como o artista mais jovem (4 anos) a chegar ao número um em todo mundo. O segundo disco manteve o êxito, e uma de suas canções foi incluída no filme Olhe quem está falando também (1993). Mas o terceiro fracassou.
Enquanto isso, os pais do Jordy dilapidaram a fortuna do seu filho e até montaram A fazenda de Jordy, uma fracassada atração turística. Falido, o casal se divorciou e o bebê voltou para a escola. Quando chegou à maioridade não restava nem um centavo de todo aquele dinheiro que tinha ganhado quando criança, e acabou fazendo reality shows.
3. U2: show ao vivo cheio de som enlatado. Em 1992, depois de uma mudança radical de imagem e som, a banda irlandesa mais famosa do mundo empreendeu oZoo TV Tour, uma turnê de shows pelos cinco continentes. Nela, o grupo mudou completamente seu conceito de espetáculo ao vivo, que passou da austeridade das turnês anteriores para um show multimídia. Para poupar trabalho e sincronizar imagens, luzes e sons, Bono e seus companheiros levaram todos os instrumentos pré-gravados. Como frequentemente havia falhas de sincronização, muita gente os acusou de fraude.
Uma das críticas mais mordazes veio do cantor Gene Simmons, do Kiss: “Cobrar 100 dólares pelo ingresso e fazer playback é falta de honestidade”, sentenciou em uma entrevista. O mais curioso é que, mais de uma década depois, o grupo Kiss também foi pego fazendo o mesmo e teve que pedir desculpas no Twitter.
4. Technotronic: a estonteante garota da capa não sabe cantar. O grupo belga de eurodance foi idealizado pelo produtor Jo Bogaert, pseudônimo de Thomas de Quincey. Quando lançaram seu primeiro disco de house music, Pump up the Jam(1989), a garota que aparecia na capa e no vídeo era a estonteante modelo Felly Kilingi, mas quem cantava era Manuela Kamosi, ou Kid K, muito menos atraente.
Em 2009, coincidindo com o vigésimo aniversário do disco, MC Eric, o outro membro da dupla, explicava a fraude no El País: “Kid K assinou um contrato ilegal porque era menor de idade. Quando todo mundo se deu conta, era tarde, porque a canção já era um sucesso nos clubes. Assim encontraram essa garota que parecia africana e tinha uma imagem muito forte. A empresa a escolheu sem que soubéssemos”.
A gravadora decidiu colocar esta menina na capa já que a que cantava não era bonita o suficiente.
Retificaram a partir do disco seguinte, com a cantora aparecendo em todas as fotos e vídeos e tocando muito ao vivo. Mas o sucesso nunca voltou.
5. Leonard Cohen: enganado pela empresária e amante, que fugiu com o dinheiro. Em 1994, farto do burburinho mundano, o cantor e compositor Leonard Cohen tomou a decisão de raspar a cabeça, virar monge e trancar-se em um mosteiro zen em Mount Baldy, Los Angeles.
Antes de aposentar-se, deixou seus assuntos econômicos nas mãos de uma pessoa de confiança, Kelly Lynch, sua assessora financeira e amante esporádica por 17 anos. Mas, traindo sua confiança, Lynch fugiu com os cinco milhões de dólares que Cohen tinha economizado para a aposentadoria, deixando-o quase falido.
Leonard Cohen teve de sair em turnê depois que sua empresária fugiu com todo o seu dinheiro. Pelo menos desfrutamos do som ao vivo.  Cordon
Com isso, o artista teve de largar a vida monástica para voltar à estrada e ganhar um pouco de dinheiro. E Kelly Lynch foi condenada a 18 meses de prisão.
6. Rihanna: plagiando descaradamente. Apesar de ter uma voz preciosa e um corpo exuberante, a cantora de Barbados nunca se caracterizou pela originalidade. Seu R&B efervescente costuma pescar coisas daqui e dali, homenageando e sampleando (colher partes de outras canções) à sua volta. Por exemplo, um de seus maiores sucessos, Don’t stop the music, foi composto com base em Wanna be starting something, de Michael Jackson, que a intérprete sampleou aos borbotões.
Um plágio descarado e deturpador foi Bitch better have my money, uma canção lançada em 2015 que “assassinava” descaradamente uma música da rapper Just Brittany intitulada Betta have my money. Como é evidente, RiRi não se preocupou nem mesmo em mudar o título.
A prova do plágio de Rihanna:
7. Boney M.: o cantor não canta, mas se o público quiser... Em 1975, o grupo ABBA arrasava no mundo inteiro. Foi então que o produtor alemão Frank Farian (que anos depois criaria o Milli Vanilli) pensou em criar um contraponto negro e exótico aos maravilhosos suecos. Para isso, contratou duas cantoras e uma modelo, todas do Caribe, e um DJ antilhano que atendia pelo nome de Bobby Farrell. Como o mencionado DJ não sabia cantar, Farian decidiu, ele próprio, fazê-lo.
O sucesso do grupo, chamado Boney M, foi estrondoso, e canções como Ma Baker,Belfast ou Rivers of Babylon explodiram no mundo inteiro. Foi então que Bobby Farrell começou a reclamar e a pedir que o deixassem cantar. Mas Farian, que usufruía como a única voz à sombra, não aceitou, e, cansado da rebeldia de Farrell, expulsou-o do grupo e colocou um outro fantoche em seu lugar. A coisa não funcionou, porque o público se queixava de que esse segundo impostor não era “o negro de Boney M”. Por isso, o produtor teve de fazer um acordo com o falso cantor, que aceitou voltar ao grupo em troca de um dinheiro extra e da mudança do nome do grupo para “Bobby Farrell & Boney M”.
Boney M. arrasou com uma fraude atrás da outra. Mas a gente se divertiu dançando as músicas deles...
8. C+C Music Factory: fique quieta. Os produtores americanos Robert Clivillés e David Cole formaram este grupo de dance pop no começo dos anos noventa. Depois de criar algumas bases, eles contrataram o rapper Freedon Wiliams e a vocalista Martha Wash para colocar vozes em bate-estacas como Gonna make you sweat (Everybody dance now).
O sucesso foi legendário: cinco discos de platina. Mas a moça que aparecia na capa dos discos e nos vídeos não era a gorducha cantora Martha Walsh, e sim Zelma Davis, uma modelo deslumbrante de 19 anos que, anos depois, lavaria as mãos em uma entrevista à Rolling Stone: “Eu era inocente e jovem. Lembro de ter dito aos que estavam gravando o videoclipe que eu não tinha cantado tudo aquilo, mas o pessoal da gravadora me mandou ficar quieta”.
A capa do disco de C+C Music Factory: a mocinha que aparece não é a verdadeira cantora do grupo.
Quem não ficou quieta foi Martha Walsh, que denunciou os produtores e a CBS/Sony por fraude, propaganda enganosa e apropriação comercial.
9. Michael Jackson: um disco póstumo com a voz de outro. Em dezembro de 2010, pouco mais de um ano após a morte do Rei do Pop, lançou-se Michael,um (suposto) álbum póstumo com canções inéditas. Desde o primeiro momento, o lançamento foi criticado pelos familiares, amigos e colaboradores do cantor, que consideravam falta de respeito publicar canções que não tinham sido concluídas. O que eles não sabiam é que muitas delas não eram nem sequer interpretadas por Michael, e sim por Jason Malachi, que tem um timbre de voz muito parecido.
A primeira a chamar a atenção para a fraude foi Paris, a filha de Michael, que, em uma conversa por vídeo com vários amigos, comentou que “meu pai não canta nenhuma das canções deste álbum. Procure no YouTube por Jason Malachi. É ele!”. A conversa foi gravada e vazou na Internet, onde já circulavam rumores especulando sobre a fraude. Em janeiro, o próprio Malachi revelou a verdade via Facebook: “Crianças, acho que chegou a hora de confessar. Eu é que cantava Breaking NewsKeep Your Heard UpMonster e Stay. Eu tinha um acordo com a gravadora, mas agora a coisa vazou. Peço perdão a todos os meus fãs e a todos os fãs de Michael Jackson”.
A filha de Michael Jackson, Paris, apoiada em Janet Jackson durante as cerimônias fúnebres de seu pai. Ela alertou para o fato de que seu pai não canta no disco póstumo.
10. Billy Joel: extorquido e arruinado.Desde 1973 até se aposentar temporariamente em 1993, esse astro pop emplacou 40 hits, ganhou seis prêmios Grammy e vendeu mais de 100 milhões de discos no mundo todo. Entretanto, por circunstâncias do destino, também se arruinou várias vezes.
O exemplo mais divulgado foi quando Frank Weber, seu ex-agente, usou 30 milhões de dólares (105 milhões de reais, pelo câmbio atual) retirados das contas do cantor para avalizar empréstimos pessoais e fazer vários investimentos que acabaram mal. Joel só ficou sabendo do golpe em 1989, ano em que foi submetido a uma auditoria, e precisou declarar falência, processando em seguida Weber por fraude e apropriação indébita. Ainda por cima, o ex-agente era padrinho da filha do cantor e tinha sido seu cunhado. O caso deixou o artista tão abalado que em seu disco River of Dreams (1993) ele dedicou várias canções ao assunto.
Capa do disco ‘River of Dreams’.
11. Selena Gomez: o tropeção que fez a casa cair. Em outubro de 2013, num show na cidade de Fairfax (Virgínia), Selena Gomez cantava a canção Slow Down enquanto dava saltos e animava o público. Dedicou-se tanto às dancinhas que não percebeu que se aproximava perigosamente de um degrau alto. Pisou em falso e caiu sentada. Mas o que mais doeu não foi a queda, e sim o fato de a sua voz continuar sendo ouvida como se nada tivesse acontecido, revelando que aquilo era um playback indisfarçável. Para piorar, tudo ficou gravado e imortalizado no YouTube, onde se pode comprovar como Selena dá um grito ao cair, e esse grito é ouvido por cima da voz que canta.
Selena Gomez tropeça, mas a voz continua cantando, como se nada tivesse acontecido.
12. The Monkees: esse glorioso grupo pré-fabricado. Michael Nesmith, Davy Jones, Micky Dolenz e Peter Tork. Assim se chamavam os quatro escolhidos em um durocasting disputado por 500 rapazes. O objetivo era formar um quarteto musical semelhante aos Beatles, para se apresentar na televisão e dar rosto a discos que não seriam gravados por eles. Os primeiros álbuns da banda, com a produção de Don Kirshner, foram interpretados por músicos norte-americanos famosos, como Carole King, Neil Sedaka e Neil Diamond. O sucesso foi apoteótico, e entre 1966 e 1968 eles se empanturraram de vender discos.
Mas pouco a pouco, e para desespero do seu produtor, os quatro integrantes da banda foram se rebelando: exigiam cantar as canções e tocar os instrumentos, cujos rudimentos haviam aprendido pela necessidade de encenar os playbacks. Tanto protestaram que ganharam a sua chance, mas tiveram a infelicidade de lançar seu disco próprio logo antes do Sgt. Pepper's, dos Beatles, que os afastou do hit parade. Depois, o programa deles na TV foi cancelado, e o vocalista deixou o grupo.
Os adoráveis The Monkees, apenas uns rostos que nem cantavam nem tocavam.
Os Monkees deram tanto trabalho que o produtor, ao conceber seu seguinte projeto de pop pré-fabricado, o The Archies, decidiu usar desenhos animados no lugar de pessoas.
13. Frank Sinatra: garotas contratadas para desmaiar. Antecipando-se a Elvis e aos Beatles, o elegante crooner Frank Sinatra inaugurou o fenômeno das fãs. Em 1942, seu assessor de imprensa George Evans teve a feliz ideia de selecionar colegiais capazes de gritar muito, convocando-as para shows e aparições públicas do ídolo. Em troca de cinco dólares, as meninas berravam feito possuídas e fingiam desmaios. Essa fraude foi a fagulha que acendeu o mito Swoonatra (trocadilho do nome dele com a palavra swoon, desmaiar) e deu início ao fenômeno: anos depois, também Brian Epstein, empresário dos Beatles, contrataria moças para gritar nos shows do quarteto de Liverpool.
O empresário de Frank foi o primeiro a contratar fãs que berravam. Logo a jogada seria imitada pelos Beatles.  Cordon
14. Lin Miaoke: embaraçoso movimento político. A espetacular cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008 foi obscurecida pela escândalo de umplayback infantil. Assim, enquanto a angelical menina de nove anos Lin Miaoke entrava no palco para cantar e receber aplausos, nos bastidores se escondia a verdadeira cantora, outra pequena chamada Yang Peiyi.
Poucos dias depois da cerimônia a fraude foi revelada, a Internet se encheu de críticas negativas e o diretor musical do evento se viu obrigado a dar as caras para explicar que Lin Maoke foi eleita por ser “muito bonita” e em função do “interesse nacional”, já que “queríamos projetar a imagem correta”. Essas desculpas foram quase piores do que o fato em si, e colocaram em evidência a cruel discriminação sofrida por Peiyi, que, apesar de ter uma voz maravilhosa, exibia dentes mal alinhados e bochechas rosadas.
15. Os Beatles: o dia em que Lennon plagiou, e reconheceu. Apesar de, como a maioria das músicas dos Beatles, ser assinada por Lennon/McCartney, Come together foi composta por John Lennon. A música que abre o disco Abbey Road (1969) e é tocada nos cinco continentes.
Quase cinco anos depois, a editora musical do pioneiro do rock Chuck Berry, de propriedade do excêntrico empresário Morris Levy, processou John Lennon por plágio: segundo o magnata, havia semelhanças demais entre Come together e a canção de Chuck Berry You can’t catch me. Lennon reconheceu o plágio e acabou chegando a um acordo extrajudicial com Levy: prometeu pagá-lo gravando outras canções de sua propriedade, coisa que cumpriu em seu disco solo Rock’n’Roll (1975). O mais curioso do caso é que uma das músicas escolhidas foi exatamente You can’t catch me, de Chuck Berry.
Enquanto a produtora de Berry o processou por plagiar a canção inteira, Lennon se defendeu dizendo: “Sim, era eu compondo obscuramente sobre um velho tema de Chuck Berry. Apesar de não ter nada a ver com a música de Chuck Berry, me levaram ao tribunal porque admiti isso uma vez há anos. Deixei uma linha da letra igual, mas poderia ter mudado por outra. A música continua sendo minha, independentemente de Chuck Berry ou de qualquer outra pessoa no mundo”.
16. Héroes del Silencio: devolvam meu dinheiro. 42 euros (cerca de 170 reais atualmente), de 2007, custava a entrada do show em Sevilha dos Héroes del Silencio, no estádio olímpico de La Cartuja; um encontro marcado na turnê de despedida que o grupo fez por diferentes capitais espanholas e norte-americanas. O de Sevilha era um dos três shows na Espanha, por isso muita gente peregrinou de suas cidades para vê-los, gastando um bom punhado de euros na viagem, além de hospedagem e ingresso.
O estádio estava lotado e, por ser um espaço tão grande, os que não estavam muito perto acreditaram que estava tudo bem, mas o público das primeiras fileiras viu horrorizado que seu grupo favorito perpetrava um playback de arrepiar os cabelos: Bunbury não conseguia mexer a boca enquanto sua voz soava enlatada, e pelos alto-falantes soavam gaitas e outros instrumentos que brilhavam por sua ausência no palco. Indignados, muitos espectadores escreveram críticas na Internet e reclamaram à promotora do show indenizações que nunca foram pagas.
17. Modern Talking: essas músicas que você tanto dançou escondem uma fraude.Geronimo’s cadillacBrother LouieChery chery lady... Os sucessos desse duo alemão marcaram a trilha sonora dos anos oitenta. E seus integrantes, Thomas Anders e Dieter Bohlen, encheram o bolso de dinheiro, vendendo 120 milhões de discos.
Mas em 2001, quando Anders e Bohlen já estavam mais do que aposentados, descobriu-se que não eram eles que cantavam os pegajosos falsetes de suas músicas. E mais, o loiro do duo não havia entoado uma sílaba, e o moreno apenas algumas partes. Os verdadeiros intérpretes de seus refrões eram três cantores profissionais, chamados Rolf Köhler, Detlef Wiedeke e Michael Schol, que se mantiveram à sombra enquanto os figurantes levavam a fama e a fortuna. Quando se descobriu o engodo, os autênticos vocalistas tentaram em vão empreender uma carreira como trio, com o nome de Systems in Blue, mas se deram mal.
18. Creedence Clearwater Revivalsugando o mestre. Apesar de serem muitos os que beberam no caudaloso cancioneiro de Little Richard, um dos pais fundadores do rock’n’roll, o caso mais criminoso é o de Travelin’ band, do grupo Creedence Clearwater Revival. A música foi composta pelo líder do grupo, o cantor e guitarrista John Fogerty em 1970, arrasou em meio mundo e virou versões de Elton John, Def Leppard e Jerry Lee Lewis.
Mas, em 1972, a empresa que detinha os direitos autorais de Little Richard denunciou Fogerty por considerar que Travelin’ band era parecida demais com Good Golly, Miss Molly. O incidente se resolveu fora dos tribunais, já que Fogerty reconheceu que tinha sido um “plágio acidental”, ou seja, que tinha feito sem querer. Parece uma desculpa barata, mas crível se levarmos em conta que, em certa ocasião, Fogerty chegou a plagiar a si mesmo: na época foi acionado pela empresa proprietária da canção Run through the jungle, que era dele, por considerar que se parecia demais com The old man down the road, que também era sua. Incrível.
‘Travelin’ band’ é muito parecida com ‘Good Golly, Miss Molly’. Como ‘I’m down’, dos Beatles, e ‘Tutti frutti’. Little Richard plagiado duas vezes.
19. Katy Perry: a flautista mentirosa. Em um show de 2011 realizado em Manchester, Katy Perry quis dar uma de flautista e o silvo saiu pela culatra, protagonizando um dos playback fails mais vexatórios da história do pop recente.
Um funcionário lhe trouxe uma flauta em uma bandeja e ela se pôs a tocar enquanto o microfone era arrumado. Mas a cantora tirou a flauta da boca bem antes de a música parar de tocar e virou. Depois de um forte vaia do público, deu um jeito e gritou: “Tudo bem, não sei tocar flauta!”. O cúmulo foi que alguém postou o vídeo no YouTube e Katy passou ridículo em nível planetário.
Katy Perry, flagrada tocando a flauta mágica:
20. Oasis: os ‘fuzilamentos’ de Manchester. O produtor dos Beatles, o recentemente falecido George Martin, chegou a dizer que Noel Gallagher, cantor e guitarrista do Oasis, é “o compositor mais fino de sua geração”. E talvez tivesse razão... se alguns de seus sucessos fossem dele. Entre outros artistas, Noel se inspirou demais em Stevie Wonder, Monthy Python, Gary Glitter, Serge Gainsbourg, Pink Floyd, The Doors e até Johann Sebastian Bach. Mas o caso mais flagrante é o da música Cigarrettes and Alcohol, na qual fuzilou acordes e ritmos da celebérrima Get it on, de T. Rex; sem dúvida, teve de pagar com juros os direitos autorais.
A marca Coca-Cola também o denunciou, por plagiar a música de um comercial dos anos setenta (I’d like to teach the world to sing) em sua canção Shakermaker. Depois de indenizar a marca de refrigerantes, Gallagher declarou zombeteiro: “A partir de agora só tomarei Pepsi”.
Os Gallagher chegam longe demais idolatrando suas influências:

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