segunda-feira, 11 de abril de 2016

Ainda sobre o tribalismo da TV///: Cisco no olho

Cisco no olho

Amigo e compatriota moçambicano, atenta à seguinte parábola, de Jesus de Nazaré para os seus discípulos:

«Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho? Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver bem para tirar o cisco do olho do teu irmão!» (Lc. 6, 39 – 42).
Vem isto a propósito do seguinte:
«Hoje, senti na pele o poder do regionalismo, do tribalismo e da discriminação baseada na orientação ideológica. A TVM, não foi capaz de transmitir o enterro do Dom Jaime Pedro Gonçalves, Arcebispo Emérito da Igreja Católica que foi hoje a enterrar. Meus senhores, não haja dúvidas, tal aconteceu porque a direcção da TVM é feita de gente regionalista e muito tribalista. Não tem nada a ver com incompetência ou mandato, até porque o PR esteve lá. É o preconceito. Quando uma televisão pública consegue transmitir em directo um casamento de um de Chamanculo ou aniversário do antigo Presidente da República e simplesmente não consegue transmitir um evento, pelos vistos, o último, de um obreiro da Paz, nada mais resta a dizer senão confirmar o complexo tribalista e regionalista que opera nas mentes daqueles dirigentes. Tribalismo e regionalismo existe sim, vi hoje na TVM. E O CONCEITO de Chingondo é real meus irmãos, infelizmente. Se fosse Dom Sengulane a coisa seria outra. Mexeram comigo, sem fazerem nada. Estou muito triste.»
Estas, amalgamadas no parágrafo precedente, são palavras do Egidio Vaz, uma figura incontornável nas redes sociais em Moçambique. Conheci o Egídio Vaz aqui no Facebook, no decurso da campanha e durante todo o processo eleitoral até à proclamação e validação dos resultados eleitorais do último pleito em Moçambique, pelo órgão competente do Estado moçambicano, nomeadamente o Conselho Constitucional. Fiquei a saber, nessa altura, que o Egídio Vaz era por uma vitória da Renamo e do Afonso Dhlakama naquelas eleições. Assim não foi, infelizmente para ele e para os que, como ele, assim gostariam que tivesse sido. A vitória sorriu para a Frelimo e para o seu candidato, Filipe Nyusi. As irregularidades reportadas não tiveram peso bastante para invalidar o resultado do escrutínio. A democracia é assim mesmo!
O que se passou a seguir àqueles eventos não é matéria desta intervenção, excepto indicar que me tornei amigo virtual do Egídio Vaz algum tempo depois. Num encontro real recente, apertamo-nos a mão reciprocamente. Pareceu-me haver uma admiração reciproca entre nós. Eu aprecio o intervencionismo consequente e algo imparcial deste meu amigo e compatriota. Sim, eu disse «intervencionismo ALGO imparcial»! O que isto quer dizer é que eu não estou preocupado pela imparcialidade, porque sei que ser imparcial é impossível, embora para a prática da justiça seja desejável. Aliás, ninguém pode ser perfeitamente justo, nem mesmo o mais justo dos homens terrenos; nem mesmo o Deus que habita na nossa imaginação! Por isso, opiniões imparciais eu não exijo de ninguém, pois sei que elas não existem. E até considero que opiniões ditas "imparciais", se existem, não têm valor social, pois inibem a competição. Eu sou abertamente a favor dos que fazem ou procuram incessantemente fazer e promover o bem; sou abertamente a favor dos que procuram incessantemente fazer e promover a justiça. O Egídio Vaz tem feito esse esforço; eu também, modéstia à parte; outros também! Mas não é sobre mim, nem sobre o Egido Vaz, nem sobre outros, que esta reflexão vem a ser.
Neste momento eu estou a pensar naquelas palavras do Egídio Vaz que acabo de citar aqui, acima. Estou a pensar naquelas palavras em ligação com outras intervenções do Egídio Vaz, mormente aquelas intervenções que ele fez durante a campanha eleitoral para as eleições gerais de 2014 e, também, durante a campanha eleitoral havida recentemente, para a eleição do Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique. Estou a pensar naquelas palavras do meu amigo e compatriota Egídio Vaz Raposo, porque me parece que as mesmas (palavras) encerram algo que ele (Egídio) denuncia, deplora e critica nas suas intervenções, nomeadamente o regionalismo e o tribalismo. Isto é, com aquelas palavras, o meu amigo e compatriota Egídio Vaz tenta tirar o cisco do olho de um irmão, sem antes remover a trave que lhe veda a sua própria visão.
Com efeito, argumentos do tipo «se fosse fulano (que é originário de tal região), a TVM (que dirigida por pessoas cozidas e assadas) teria feito…, mas porque não é assim, a TVM não fez…» denunciam um sentimento regionalista e tribalista de quem os usa. Aprendi isto aqui, com algumas das pessoas que agora apoiam o posicionamento do Egídio Vaz. Em retrospectiva, essas pessoas conotaram-me com racismo, quando questionei o facto de os advogados do "Caso Carlos Nuno Castel-Branco" não terem sido negros, quando os há até de melhor calibre e em maior número que os de pele "branca" e cabelo "liso" e "longo".
É, pois, caso para perguntar:
O que dizem esses "juízes de opinião", agora? Haverá alguma resposta? Eu aguardo!
Enquanto isso, agora adirijo-me a ti, meu amigo e compatriota, Egídio Vaz Raposo, com uma solicitação para parares de promover a discriminação negativa entre os moçambicanos. Abordagens como a que tu fazes na tua pretensa crítica ao facto de a TVM não ter transmitido em directo as exéquias organizadas pela Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) para o Dom Jaime, só denunciam que tu próprio és regionalista e tribalista. Não sendo, haveriam muitas outras, inúmeras, maneiras de tu interpretares a atitude da TVM, sem mexeres na região de origem e na tribo do elenco directivo desta estação pública de televisão. Uma dessas maneiras seria observar, por exemplo, que não existe obrigatoriedade de a TVM transmitir em directo exéquias organizadas pela ICAR, mas sim exéquias organizadas pelo Governo de Moçambique. E creio que tu sabes muito bem quando é que um Governo organiza exéquias para um cidadão. E também sabes que as exéquias para o Dom Jaime foram organizadas pela ICAR, como era sua obrigação, pois o Dom Jaime foi servidor eminente da ICAR em Moçambique.
Todos sabemos que o Dom Jaime não foi figura de Estado em Moçambique. Ele foi um homem da igreja (ICAR), que soube prestar o seu contributo em alguns domínios da vida política e social dos moçambicanos, seus concidadãos. No domínio da pacificação de Moçambique, o contributo do Dom Jaime foi até inconclusivo, em parte porque ele próprio contribuiu para isso, ao dar razão à Renamo. Foi lamentável, e até contrário aos princípios da ICAR, o Dom Jaime, homem da estatura que ele foi, dar razão a um grupo terrorista que ataca cidadãos indefesos e, com isso, impede a livre circulação de pessoas e bens na República de Moçambique. Isso valeu-lhe o que lhe valeu: um simples e acanhado reconhecimento pelo Governo de Moçambique, em representação dos moçambicanos que se reviam no Dom Jaime. Isso também é uma honra não pequena! Clara e compreensivelmente, para outros moçambicanos, mormente aqueles que foram e têm sido vítimas dos ataques perpetrados pela Renamo nas estradas moçambicanas, esse reconhecimento não tinha que fazer Moçambique inteiro—que a Renamo tudo faz para fazer parar—parar ainda mais; tampouco fazer a TVM alterar a sua programação, sem justificação que coubesse na maioria dos moçambicanos que também financiam com as suas contribuições o funcionamento desta estação de televisão pública.
Enfim, porquê e para quê tanta celeuma, só porque a TVM não transmitiu as exéquias da ICAR para o Dom Jaime? Qual é o problema objectivo de os eventos terem ocorrido como ocorreram, para que a TVM não agisse como alguns gostariam que tivesse agido neste caso? Quem é que é culpado pelo que se passou, que não agradou a alguns moçambicanos, qual o amigo Egídio Vaz Raposo e outros? Eu acho que, se houver algum culpado, esse foi o próprio Dom Jaime Pedro Gonçalves, por ter buscado a paz com muita parcialidade a favor da Renamo, uma organização que não tem bom cadastro na República de Moçambique. Que Deus o tenha!

Egidio Vaz
Egidio Vaz Prof Julião João Cumbane, eu já o expliquei. O que está a fazer aqui é tomar as dores de um claramente identificado para transforma-lo num discurso nacional de A contra B. Foi o meu sentimento profundo que a TVM agiu daquela forma porque os seus dirigentes nutrem uma repulsa visceral, assaz tribalista contra a pessoa do Dom Jaime Pedro Gonçalves, arcebispo emerito da Beira, por sinal o Primeiro na História. Dom Jaime não é qualquer figura. Ora, se lhe recordar que festas huuve que mereceram a cobertura televisiva e este enterro não, fica por aferir o seu significado. 
Existe um problema neste país que consiste em esconder alguns temas tabus. Fingimos que não existe o regionalismo e assumimos que, porque ele é nocivo, logo nao deve ser abordado publicamente porque tal pode levantar ressentimentos de vária ordem. Esquecemos que o tribalismo nao é um sistema político; é pelo contrário, um sentimento, primeiro individual que depois pode transformar-se numa estrategia de grupo para perseguir qualquer que seja o interesse. Eu não me calarei se notar certos comportamentos tribalistas. Irei denuncia-los para desencoraja-los. Condenar-me por ter chamado atençao a uma relaidade concreta não lhe faz a si uma pessoa neutra ou menos tribalista. O primeiro erro é justamente este. Assumir que porque não é tribalista, outros também não o são. O resto é o desdobramento falacioso
Marcela Chivale
Marcela Chivale Não queime sua massa cinzenta com pessoas que se dizem académicos que de académicos não têm nada e não valem o chão que pisas. Aff
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Julião João Cumbane
Julião João Cumbane Quem não vale o chão que pisa ficas tu aqui,Marcela Chivale. Olha-te bem, antes de te rires de outrem!
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Julião João Cumbane
Julião João Cumbane Eu não entrei nem vou entrar em desdobramentos falaciosos, meu caro Egidio Vaz. Quando um problema é identificado—algo que requer inteligência—(!), fica a tarefa de o resolver. Isto já não requer inteligência, mas sim habilidade. Eu sei que o racismo, o regionalismo e o tribalismo convivem connosco, em maior ou menor grau nuns e noutros. O que eu reprovo é criticar estas formas de divisionismo com um discurso que as estimula, no lugar de combatê-las. As tuas intervenções são, quanto a mim, desse calibre, e fazem de ti aquele irmão de o que Jesus Cristo falou aos seus discípulos. Como é que tu vês regionalismo e tribalismo na atitude da TVM, em associação com o facto de a sua liderança ser composta por pessoas do Sul? Como sabes que se fosse Dom Dinis Sengulane a TVM teria agido diferente? Donde tens essa certeza?!... Enfim, a tua abordagem, a tua denúncia, fica enfraquecida por ausência clara de evidência que indicie, inequivocamente, uma atitude regionalista ou tribalista do elenco directivo da TVM. Aquela tua intervenção o que faz é acusar indevidamente a direcção da TVM - Televisão de Moçambique de práticas discriminatórias, sem exibir evidências. Fizeste a mesma coisa quando tentavas provar que havia impedimento legal para o Flavio Menete se candidatar a Bastonário da Ordem do Advogados de Moçambique. O Carlos Nuno Castel-Branco chamou-te atenção sobre a fraqueza do teu argumento, e te desafiou a provares que havia tal impedimento. Tu não conseguiste produzir essa prova e começaste e entrar em desdobramentos falaciosos. Evita isso, meu caro, se puderes—e eu quase sei que tu podes! É só isto que te peço, se te posso pedir alguma coisa: não instiga o mal que pretendes denunciar e ajudar a combater! A tua intervenção sobre o caso TVM (agora virou um caso!) está carregada de sentimentos de regionalismo e de tribalismo, que no lugar de denunciar estas formas de divisionismo entre moçambicanos, despertam e concitam outras pessoas a desenvolver também os mesmos sentimentos. Essa é única razão dos milhares de "likes" que o teu 'post' recebeu em menos de 24 horas. Estejamos todos atentos, tu, eu e todos os nossos amigos e compatriotas. Não devemos alimentar ou reforçar o que nos divide; temos—isto sim—que destacar, valorizar e propagar o que nos complementa e une. Só assim Moçambique poderá avançar. No teu 'post', tu destacas e reforças o que nos divide. Negativo!
Estevao Pangueia
Estevao Pangueia Afinal porque não assumirmos os erros para ganharmos o caminho de solução? 
Prof Julião João Cumbane, contradiz se na publicação ao reconhecer a grandeza do arcebispo, numa cerimônia onde esteve inclusive o Chefe d Estado. Se não queremos ouvir falar do tribalismo, então que evitemos aspectos que possam alimentar o regionalismo. 

A TVM consegue transmitir um jogo de futebol infato-juvenil, casamentos de anônimos, não conseguiu transmitir em directo uma cerimônia de um Homem que aproximou posições e por ele alcançamos a paz? 
Neste momento, ex: paira na cabeça de gente de Centro e Sofala em particular, não simpatizante com o partido no poder, que mais uma vez não transmitiram em directo a cerimônia do "nosso ídolo" porque ele é do Centro, é simpatizante da renamo. Assim caro professor, as hostilidades consolidam-se. 
VAMOS EVITAR.
Julião João Cumbane
Julião João Cumbane Estevao Pangueia, habituaste-me a ver a minha miopia intelectual para esconderes a tua à tua própria miopia. Eu vou passar a atender-te, não te atendendo! Se não sabes, não especula demais, publicamente. Pergunta ou pesquisa, para ter conhecimento!
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Estevao Pangueia
Estevao Pangueia Deixe de perguir pessoas, faça pesquisa e publique professor.
Julião João Cumbane
Julião João Cumbane O que eu publico noutros fóruns não é para teu consumo, Estevao Pangueia! Interage de forma construtiva e com respeito neste plataforma, que também serve para ti, sobre os assuntos que proponho para discussão. Depois fica na tua, qual eu estou na minha! Não vou permitir que aportes no meu mural para te fazeres alguém por cima do meu ombro. Nunca fui ao teu 'mural' dar-te instruções. Repara que ao Egidio Vaz não estou a dar instruções! Não haverá outro aviso!
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Estevao Pangueia
Estevao Pangueia Profe não fuja do assunto. Eu defendo que a TVM devia sim ter transmitido a cerimônia em directo, pela grandeza que o arcebispo representa para este País. Dessa forma, podia ter evitado estas especulações de tribalismo, regionalismo, que pairam nas cabeças de alguns moçambicanos.

NB: Não me ameace prof, convenca-me.
Julião João Cumbane
Julião João Cumbane Estevão Pangueia, eu digo defendo que que a TVM não tinha a obrigação de fazer transmissão em directo das exéquias da ICAR para o Dom Jaime. Defendo igualmente que é uma falácia o dito de que o Dom Jaime foi obreiro da paz, porque ele não deixou Moçambique com a paz que ele ajudou a negociar. De facto, ao apoiar as acções anti-Estado da Renamo, o Dom Jaime só contribuiu para a destruição da paz que ajudou a negociar. E não defendo isto para convencer a ninguém, mas sim para valorizar a verdade que a razão ajuda a aflorar.
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Olivia Mondlane
Olivia Mondlane He wena!!!
Maitu Buanango
Maitu Buanango As pessoas esquecem-se que a Constituição da República consagra que o Estado moçambicano é laico. É impressionante esta amnésia.
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Magacebe Majacunene
Magacebe Majacunene “Tive a honra de participar no processo de paz. Os meus trabalhos trouxeram material para repensar o Estado e fazer uma parte das reformas que era necessária para que a paz pudesse ser abraçada e principalmente pudesse ser consolidada” anota, em introdução. Fá-lo com nostalgia porque, diz ela, nessa época havia muita abertura e interesse para, realmente, construir a paz. “Não havia empecilhos, não havia que isso pode, isso não pode. Considerava-se: se isso vai trazer a paz, então, pode. Era uma visão muito interessante e foram mudanças substanciais. Não foram mudanças pequenas, foram mudanças em todo o sistema político, económico, administrativo, até a percepção de cultura mudou. Foi realmente uma coisa muito substancial e para a equipa do presidente Chissano, porque achava que a paz era um bem importantíssimo, não havia o que não podia. Tudo podia se no final do dia fôssemos ter paz”, lembra com saudades.IRAE LUNDI,académica.
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Rogerio Antonio
Rogerio Antonio Professor Julião João Cumbane, uma vez que não concordas com o post do Egidio Vaz, pra ti quais as razões que estariam por detrás da não transmissão, tendo em conta a dimensão da figura do Dom Jaime Gonçalves? Não é a primeira vez que TVM - Televisão de Moçambique comporta-se desta forma, o que até certo ponto começa a criar desconfianças no seio da opinião pública dos reais objectivos que esta estação de Tv prossegue, tendo em conta que é pública.
Se não transmitiu pelo Dom Jaime Gonçalves, não acha que no mínimo pelo PR Nyusi que participou nas exéquias fúnebres.

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