sábado, 5 de março de 2016

Nyusi nomeia grupo para diálogo para a paz com a Renamo

Objectivo é "encontrar os melhores caminhos para restaurar a paz e prosseguimento do caminho do desenvolvimento", disse o gabinete da Presidência de Moçambique em comunicado.
Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique GIANLUIGI GUERCIA/AFP
O Presidente da República moçambicano, Filipe Jacinto Nyusi, convidou o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, para a retoma do “diálogo ao mais alto nível”. O objectivo é “encontrar os melhores caminhos para restaurar a paz e prosseguimento do caminho do desenvolvimento", disse o gabinete da Presidência em comunicado emitido na sexta-feira.
Nyusi nomeou, por isso, um grupo para preparar um encontro com o líder da Renamo: Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança e antigo ministro do Governo de Samora Machel, Maria Benvinda Levi, conselheira do Presidente da República, que foi ministra da Justiça no Governo do antigo Presidente Armando Guebuza, e Alves Muteque, quadro da Presidência.
A Presidência pede a máxima urgência para a designação dos representantes da Renamo. O porta-voz da Renamo, António Muchanga, disse ao PÚBLICO que a carta da presidência tinha chegado às mãos da Renamo este sábado de manhã, que o partido a tinha feito chegar a Dhlakama e que aguardavam resposta do líder a qualquer momento - porém, a reacção de Dhlakama só poderá ser divulgada depois de a sua carta ser entregue à Presidência da República, o que não deverá acontecer antes de segunda-feira pois a presidência "está fechada ao fim-de-semana", acrescentou. 
Também na sexta-feira Dhlakama acusou o Governo de ter mobilizado 4500 elementos das Forças de Defesa e Segurança para as províncias do Centro, Manica e Sofala, para impedir “a implantação do Governo da Renamo”. 
A Renamo contesta as eleições gerais de 2014 e declarou-as como fraudulentas. A Frelimo nega que as eleições tenham tido irregularidades, e acusa a oposição de violar a Constituição, mantendo homens armados.
Dhlakama anunciou que iria começar a governar à força as seis províncias onde obteve a maioria nas eleições gerais de 2014 a partir de Março. Dhlakama tinha emitido um comunicado a afirmar que “reitera a sua disponibilidade para negociar com o Governo da Frelimo uma solução definitiva para a actual crise político-militar”, mas sob a condição de governar as províncias. Aguarda-se então os desenvolvimentos num clima de tensãoque muitos classificam já de guerra. 
Em finais de Fevereiro, a a organização de direitos humanos Human Rights Watch emitiu um comunicado onde denunciou que pelo menos seis mil pessoas fugiram de Moçambique para o Malawi desde meados do ano passado e que isso “é uma consequência das operações do exército moçambicano para desarmar as milícias ligadas à Renamo”. A HRW fala de alegadas execuções sumárias, abusos sexuais e maus-tratos da parte das forças armadas na província de Tete, zona central de Moçambique e um reduto da Renamo. Recentemente, o governador da pro­víncia de Tete, Paulo Awade, negou a existência de refugiados moçambicanos no Malawi dizendo que eram deslocados do Malawi e que os poucos moçambi­canos que estavam nesse campos era familiares de homens armados da Renamo: acu­sou os guerrilheiros de Afonso Dhlakama de terem incendiado casas da população de Nkonde­zi, de acordo com o jornal O País.
Notícia actualizada às 15h31, inclui declarações ao PÚBLICO de porta-voz da Renamo

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