sexta-feira, 4 de março de 2016

Moçambique tem sete rotas de tráfico de órgãos humanos

Ontem
Moçambique dispõe de sete rotas de tráfico de órgãos e partes do corpo humano e este crime é cada vez mais sofisticado e praticado por redes organizadas.
 
EPA/ERICO WAGA
Crianças, mulheres e adolescentes são as principais vítimas
Um relatório divulgado, esta sexta-feira, pela Liga dos Direitos Humanos (LDH), intitulado "Tráfico de Órgãos e Partes do Corpo Humano", o relatório, que resulta de uma investigação que cobriu o período entre 2010 e 2014, diz que as redes usam as rotas de Cuamba e Nchinji, norte de Moçambique, Chire, Machanga e Beira, na região centro, bem como Limpopo e extremo sul, no sul do país.
"A metade sul do Malaui é a principal recetora de órgãos e partes do corpo de vítimas moçambicanas do leste de Tete, oeste da Zambézia e Niassa", diz o estudo, que entrevistou 433 pessoas, e não indica o número de vítimas do tráfico.
A região do Grande Limpopo e o chamado quadrilátero de Manicaland, no centro de Moçambique, abastecem, principalmente, o Zimbábue e África do Sul com partes de corpos de moçambicanos mortos pelo tráfico, lê-se no documento, apresentado por Paulo Jorge, investigador e jurista da LDH.
Segundo Paulo Jorge, observa-se uma especialização das regiões do país em termos de partes humanas de maior procura, como no caso da zona norte, onde os albinos são as principais vítimas, e a região de Maputo, onde os principais alvos são a cabeça humana e os órgãos genitais.
"O baixo rendimento nas regiões fronteiriças e zonas rurais agrícolas faz com que os jovens com idades compreendidas entre os 18 e 30 anos sejam facilmente recrutados para servirem como extratores de órgãos e partes do corpo de células criminosas. A remuneração média é de 200 mil meticais por extração [3600 euros]", refere o documento.
Mulheres, crianças e adolescentes representam 62% das vítimas de extração de órgãos e um quarto de casos visam órgãos genitais masculinos.
A pesquisa, prosseguiu Paulo Jorge, apurou que mais de 50% dos entrevistados acreditam que os órgãos humanos destinam-se a curandeiros, para fins supersticiosos.
"Atualmente, a região centro de Moçambique é a que regista mais casos de tráfico no país. Conforme dados levantados por esta investigação, quase 70% dos casos de extração ocorrem na região de Tete, Zambézia, Manica e Sofala", destaca o relatório.
Paulo Jorge afirmou que o combate ao tráfico de órgãos humanos exige a criação de uma unidade especial na Polícia de Investigação Criminal (PIC) e uma maior sensibilidade do aparelho judicial para o problema.
"A PIC, nos moldes atuais, não está preparada para investigar e neutralizar as redes de tráfico de órgãos humanos e do lado dos juízes sente-se uma hesitação na ideia de que estes crimes envolvem redes sofisticadas", afirmou.
A fiscalização da atividade dos curandeiros, através do seu registo no Ministério da Saúde, é também uma intervenção importante para o combate ao fenómeno, destacou o investigador e jurista da LDH.
ARTIGO PARCIAL

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