quinta-feira, 3 de março de 2016

Mitt Romney declara guerra a Donald Trump, a "fraude" que "faz o povo de parvo"

Candidato derrotado por Barack Obama em 2012 lança duro ataque em nome do sector tradicional do partido, que não quer o magnata como seu representante.
JIM URQUHART/REUTERS
O candidato do Partido Republicano à Casa Branca em 2012, Mitt Romney, lançou esta quinta-feira um duro ataque contra Donald Trump, o magnata que lidera a corrida para a nomeação este ano.
Num discurso proferido na Universidade do Utah, Romney acusou Trump de ser uma "fraude" e de tratar o povo americano como se fosse "parvo".
O ataque de Romney (que perdeu para Obama em 2012) foi até agora a acção mais visível da guerra que o sector tradicional do partido lançou para evitar que Trump venha a ser nomeado para a corrida à Casa Branca.
Ben Carson prepara desistência
O ataque do chamado establishment do Partido Republicano contra Trump foi lançado publicamente poucas horas depois de se saber que a corrida está prestes a perder mais um concorrente: Ben Carson, o antigo neurocirurgião que chegou a desafiar Donald Trump no comando das sondagens, disse na noite de quarta-feira que os resultados das primárias desta semana o fizeram incapaz de "ver o caminho político em frente".

Carson anunciou-o num comunicado aos seus apoiantes, em que indica também que não participará no debate republicano desta quinta-feira. O candidato não anuncia categoricamente a sua saída das primárias republicanas, mas sugere que o fará na sexta-feira, dia em que promete falar mais “acerca do futuro deste movimento”, num discurso à Conferência da Acção Política Conservadora, em Washington.
"Super Terça-feira" foi especialmente desastrosa para Ben Carson, incapaz de vencer um único estado, ou até de estar perto de o fazer — o máximo que obteve foi 11% dos votos no Alasca, onde terminou em quarto lugar.
Apesar disso, Carson indicou na terça-feira que a dedicação aos apoiantes não o permitia abandonar a corrida. "Enquanto recebermos o seu apoio, e o Senhor nos continuar a abrir portas, continuarei nesta corrida presidencial", afirmou desde Baltimore,Maryland, estado que não votou nesse dia, mas onde Carson fez carreira como neurocirurgião pediatra.
Avançam-se várias razões para a abrupta queda de popularidade de Carson junto do eleitorado republicano: revelou desconhecimento sobre temas de política externa e segurança nacional, a sua postura passiva não acompanhou o ritmo de outras campanhas, deixando-o sempre à margem dos debates, ou conflitos internos na organização de campanha.
A confirmar-se a desistência do candidato que defende que os Estados Unidos não devem ser governados por um muçulmano, é da opinião que as pirâmides do Egipto foram construídas para armazenar cereais e comparou o plano de saúde de Obama à escravatura, esta não terá sido causada por falta de financiamento — Carson surpreendeu muitos ao angariar cerca de 20 milhões de dólares durante o Verão de 2015, mais do que qualquer outro candidato nesse período.  
"Felizmente, as decisões da minha campanha não são constrangidas por finanças; mas pelo que é do melhor interesse da população americana", afirmou Carson no comunicado divulgado quarta-feira. A sua desistência reduzirá o campo de candidatos republicanos a quatro pessoas: Donald Trump, Marco Rubio, Ted Cruz e John Kasich, que muitos esperam ser o próximo a sair.

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