sexta-feira, 25 de março de 2016

Membros da Renamo com medo de regressar à sua proveniência

RefugiadosRenamoTete
Fugidos das agressões da intolerância política em Mazoe

  • E os mandantes continuam impunes
Pelo menos 117 pessoas que deixaram as suas residências no posto administrativo de Mazoe, distrito de Changara, em Tete, e que se declaram pertencentes à Renamo, ainda continuam acantonadas na sede provincial do seu partido, nesta cidade, desde que se apresentaram na quinta-feira da semana passada, dia 17 do mês em curso, fugindo das agressões e desmandos perpetrados por membros e simpatizantes do partido no poder.
Os números actualizados apontam para estas 117 pessoas, porque, aos números que apresentamos em nossas edições anteriores, acrescentam-se mais cidadãos que se tinham refugiado em casa do delegado politico distrital de Changara e que agora se encontram na sede provincial da Renamo, na cidade de Tete.
Em declarações ao Mulambe, o delegado político provincial da “Perdiz”, Félix Assomate, afirma que a situação em que se encontram aqueles membros do seu partido é crítica, uma vez que as instalações da sede não servem para acolher pessoas, em forma de residência. Apesar disso, os seguidores de Afonso Dhlakama na sede do partido dizem que não podem voltar às suas residências, no Mazoe, por estarem a correr perigo de vida.
As pessoas ainda continuam connosco aqui, na sede do partido, porque não podem voltar às suas casas, uma vez que o inimigo está a passear pelas ruas. Neste sentido, ainda não há condições para voltarem para as suas residências” – assegurou Assomate.
Por outro lado, o delegado político provincial da Renamo em Tete critica o comportamento que qualificou de negligente, por parte do governo local, por não se preocupar com a situação por que estão a passar aqueles mais de cem cidadãos identificados como membros da Renamo e que se dizem perseguidos naquele ponto da província.
Em resposta a uma questão colocada pela nossa Reportagem, Assomate deixou claro, ao afirmar que o governo está “envenenado” com o regime da Frelimo, que não quer ver outros partidos políticos no país.
Os membros da Renamo são cidadãos moçambicanos, eles pagam imposto que a Frelimo gasta no pagamento aos seus funcionários, porque não se explica que um governo consciente não se preocupe com o seu povo, independentemente da raça, etnia, religião e filiação política de cada cidadão. Neste sentido, é preocupante o comportamento do governo, que não se pronuncia sobre este assunto, desde que foi reportado o caso” – lamentou.
Uma outra situação apresentada por aquele dirigente político e que tem eco na sociedade civil tem a ver com a questão dos praticantes de desmandos no posto administrativo de Mazoe, distrito de Changara, que se mantêm calados como se nada estivesse a acontecer.
De lembrar que, após a apresentação daquele grupo de 117 membros da Renamo na sua sede provincial, provenientes do posto administrativo de Mazoe, distrito de
Changara, segundo noticia que publicámos na nossa edição de sexta-feira última, a Reportagem do Mulambe deslocou-se àquela região, a fim de ir observar de perto os estragos relatados pelos seguidores de Afonso Dhlakama.
No local, pudemos verificar residências e gado bovino abandonados e informações colhidas indicam que se trata de bens pertencentes a famílias tidas como sendo de membros ou simpatizantes da Renamo, que se viram na contingência de sair daquele posto administrativo, na sequência da impossibilidade de continuar com uma convivência caracterizada por perseguições e constantes ameaças, derivadas da intolerância política. (Domingos Parafino)
JORNAL MULAMBE – 25.03.2016

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