terça-feira, 22 de março de 2016

Malangatana, Marcelino dos Santos, Joaquim Chissano, Rui Nogar em visita a Tanzânia (1974)

Comments
Eusébio A. P. Gwembe Malangatana (o segundo à esquerda), Marcelino dos Santos, Joaquim Chissano (ao centro), Rui Nogar (à direita).....
Ariel Sonto Onde? A fazer?
Eusébio A. P. Gwembe Era uma visita ao campo militar da FRELIMO na Tanzânia, Ariel Sonto, provavelmente em 1974.
Ariel Sonto Que funções desempenhavam Nogar e Malangatana?
Tsala Muana esses palhacos tem ideias analogicas
Gabriel Muthisse Ao lado do Malangatana é Matias Mboa. O que foi chefe operacional da IV Região Militar (que englobava Maputo, Gaza e Inhambane). Esta frente foi desbaratada pela PIDE em 1964. Em consequência, Matias Mboa, Maduna Xinana, outros guerrilheiros, Malangatana, Rui Nogar, Craveirinha, Luis Bernardo Honwana, Domingos Arouca e muitos outros foram presos, na cadeia da Machava
Eusébio A. P. Gwembe Tenho os autos do julgamento deles, Gabriel Muthisse. Grandes nacionalistas. Um dia poderei partilhar, cada um tinha sua acusação.
Eusébio A. P. Gwembe Tsala Muana, muito deslocado e suspeito o seu comentário. 
Emoji frownGostoResponder520/3 às 20:55
Gabriel Muthisse Aqui, esses nacionalistas tinham ido a Dar-es-Salam a pedido de Costa Gomes, para verem se obtenham um cessar fogo. Cessar fogo antes de os portugueses reconhecerem o direito de Moçambique à independência. É lógico que os guerrilheiros recusaram. Costa Gomes chegou a tentar que esses antigos presos políticos constituísse uma FRELIMO no interior. Uma espécie de FRELIMO Renovada. Estes nacionalistas recusaram, honra lhes seja feita.
Eusébio A. P. Gwembe Ariel Sonto, Malangatana foi fotógrafo, algumas vezes. Aqui vê-se uma máquina fotográfica
Gabriel Muthisse A pergunta de Ariel Sonto é outra, Eusébio A. P. Gwembe. Ele quer saber se tinham funções relevantes na FRELIMO/guerrilha. Eles foram militantes clandestinos. Apoiaram os guerrilheiros que tentaram abrir uma frente armada no sul. Passaram quase toda a década 60 presos. E, mesmo quando libertos, tinham muitas limitações de movimento
GostoResponder420/3 às 21:07Editado
Ariel Sonto Sabia sobre fotografo, Eusébio. A minha questão tem a ver com o que Muthisse disse.
Aurelio Magalhaes interessante, consta-me que Malagatana esteve num campo de reeducação, a que momento e qual foi a acusação podes me ajudar a compreeder Eusébio A. P. Gwembe
GostoResponder220/3 às 21:10Editado
Gabriel Muthisse Todos os presos políticos foram "reeducados". Em minha opinião, isso resultou de um jogo de interesses (de poder) dentro da FRELIMO. Parte da elite dos que tinham feito a luta armada encarou os antigos presos políticos como rivais, nos jogos de poder. Por isso, a sua contribuição para a luta comum foi minimizada. Por exemplo, confissões extraídas sob tortura atroz terão sido consideradas como traição. .. coisas desse género. Mas, comoEusébio A. P. Gwembe diz, estes antigos presos políticos foram grandes nacionalistas.
Yussuf Adam Os que estavam na guerrilha pensavam que viviam em condicoes extremas sem agua nem luz e os que viviam nas cidades tinham luxos e confortos. Tb havia desconfiancas e procura de traidores para justificar as derrotas da 4 Regiao Militar... Suponho que a rede da 4 regiao militar e o papel dos militantes na clandestinidade nao era do conhecimento de todos.
Aderito Raul Magaia Eusébio A. P. Gwembe Faz me perceber que a nossa Independência vem de muito longe... A figuras que através da sua página vejo que porquê foram para a cripta.

Todo Moçambicano devia seguir esta página!

É a primeira vez que escrevo algo, mas perdi o número de vezes que leio, que reeleio até os textos antigos!

Obrigado!

Yussuf Adam A viagem dos ex presos politicos e nacionalistas do interior a Dar. Para alguns deles parecia uma especie de ajuste de contas..
Benedito Mamidji Acho que o ajuste de contas veio um pouco depois. Foi numa dessas visitas que Mboa regressou de Dar com dinheiro e instruções para construir a sede da Frelimo em LM, que acabou sendo justamente no antigo bar/cabaret Vasco da Gama na avenida Angola. O ajuste de contas, penso, veio em 78 na reunião com os ex-pp na pousada dos CFM - e foi aí que alguns foram classificados como traidores (Mboa e companhia, os que haviam participado na produção da revista Ressurgimento na Machava), outros como vacilantes (a grossa maioria dos ex-pps), e os heróis (todos os que haviam tombado nas mãos da PIDE - ou seja, não podia haver nenhum herói vivo na clandestinidade, os heróis vivos vinham da luta armada). Os traidores foram à reeducação. Os vacilantes foram a purificação e descolonização mental em Matalane, onde ficaram 2 meses entre treinos militares e confissões de vacilação. Alguns "traidores" foram descobertos nesse processo em Matalane, mas o grosso foi destacado para lugares de governação e do partido. Malangatana foi a Niassa onde passou um bom tempo de pintar as paredes da Feira de exposição de Lichinga, digo a pintar como um pintor ordinário de obras, não como artista, até que Samora o viu lá e mandou regressar.
Antonio A. S. Kawaria Muito por aprender.
Yussuf Adam Mamidji tanto quanto sei Malangatana foi enviado para as aldeias comunais em Nampula. Nesse primeiro reencontro muitos dos que vieram das zonas ocupadas i.e. Maputo foram considerados como vacilantes. Malangatana foi posto a limpar casas de banho. Tb oacusaram de nao ter saido de Mocambique. O pintor respondeu que cumpria as orens que tinha recebido de Mondlane de ficar em Mocambique. Muitos outros que vieram de fora da Tanzania tambem tiveram que enfrentar um certo desprezo por terem vindo do lado do inimigo onde viviam bem. Os da LA achavam que tinham feito o supremo sacrificio olvidando que no interior tambem se combatia e que se fossem apanhados eram torturados e mortos.
Andre Jorge Chifeche Ya vou ter que comer muita matapa para perceber melhor os contornos da nossa historia.
Eduardo Domingos "Chefe operacional da IV regiao militar"?????
Gabriel Muthisse Não sabia Eduardo Domingos? Estuda mais a história do teu país
Eduardo Domingos Quarto sector militar nao chegou a existir. Nunca houve accoes militares neste sector Gabriel Muthisse
Gabriel Muthisse Veja bem os comentários. Existiu e foi destruído pela PIDE. Era dirigido por Matias Mboa e Joel Monteiro, vulgo Maduna Xinana. Estude melhor a tua história
Gabriel Muthisse Foram infiltrados guerrilheiros no sul. Grande parte foi presa.
Ana Cornelio Tingua Ficou para história. Grandes homens.
Eduardo Domingos Houve luta de guerrilha em quw zona do iv sector Gabriel Muthisse? Achas que Eduardo Domingos é da ojm? Todos que foram zona sul foram presos e outros entregaram se. Como se explica a pide desmantelar uma organizaçao que era suposto estar no mato? Vce quer vender historia deturpada aos jovens
Eduardo Domingos Todos guerrilheiros tinham instruçoes de instalar bases nas zonas pouco suspeitas mas o que foram mandados para o sul todos foram presos nos centros urbanos. A frelimo nunca teve plano de fazer guerrilha urbana. Sabes me dizer Gabriel Muthisse onde foram presos matias mboa e joel monteiro o tal maduna?
Gabriel Muthisse Creio que sabe ler. Veja os comentários anteriores, Eduardo Domingos. E diz o que está errado no que se escreveu
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Eduardo Domingos O que está errado é que nunca chegou a existir o IV sector militar Gabriel Muthisse.
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Gabriel Muthisse Existiu a quarta região militar. Com o seu comando e os seus guerrilheiros. O que se pode discutir é se teve sucesso ou não
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Eduardo Domingos Esteve implantado aonde o IV sector militar? Dizer que a Pide desmantelou é um absurdo se de facto existiu.
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Gabriel Muthisse Então não existiu!!!!! Está contente?
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Eduardo Domingos Nao sou obrigado a aceitar mentiras, ou acha se dono da verdade?
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Gabriel Muthisse Sim, tens muita razão. Não existiu a IV Regiao Militar. Não existiu Maduna Xinana. Não existiu Matias Mboa. Não existiu Jossefate Machel, Bombarda Matata, Manjoro Kuna e outros guerrilheiros aqui no sul. Tudo isso foi invenção da OJM. Nem existiram presos políticos, muito menos aqueles detidos aquando do desmantelamento dessa pretensa IV Regiao. Tudo invenção. Como esses da FRELIMO mentem! Penso que podemos parar por aqui. Ja se demonstrou que tens muita razão.
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Nhecuta Phambany Khossa Eduardo Domingos, sugiro a leitura da obra do próprio Matias Mboa, onde ele relata factos sobre a IV Região Militar desmantelada pela PIDE.
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Santos F. Chitsungo Ha! As certezas....
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Eduardo Domingos Essa sua lista se samora fosse justo todos componentes seriam fuzilados em mtelela porque fizeram o que nao aprenderam em nenhum sitio. Aceitem a treta por conveniencia eu, nunca.
Nito L. Manhice O tempo ñ perdoa.
Joao Cabrita A questão da IV Região Militar encerra uma das grandes contradições da narrativa Frelimo. Por um lado, critica a 'linha reaccionária' por, alegadamente, ter apostado numa luta rápida para a conquista do poder, em vez da 'luta prolongada', à moda chinesa. A criação da IV Região Militar significa isso mesmo: uma vitória rápida, por meio de uma luta não prolongada. O próprio Mondlane estimou que a vitória final seria alcançada em 5 anos.
Yussuf Adam e bem complexo... os filhos dos reis tiveram que ir para o mato coisa que nao gostavam muito... tiveram que integrar se em sociedades em que eram considerados colonos. bom tema para reflectir joao.
Joao Cabrita Foto histórica, Eusébio A. P. Gwembe, propensa a legendas várias. Uma, entre outras: “Antigos Presos Políticos do Colonialismo Visitam Futuro Campo de Concentração de Presos Políticos da Frelimo”.
Gabriel Muthisse Pode não ser isso, João Cabrita. A constituição da IV Região podia não ter nada a ver com vitória rápida. Podia ser uma forma de dispersar as forças armadas coloniais. Se se lembra, em 1964 a FRELIMO desdobrou forças em 5 cenários de guerrilha: Cabo Delgado, Niassa, Tete, Zambézia e a IV Região que englobava as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. Três das frentes fecharam, excepto Cabo Delgado e Niassa. A questão das fronteiras nem era a mais importante, como a abertura da Frente de Manica e Sofala mais tarde provou. Creio que houve uma preparação deficiente nas outras frentes. Por exemplo, apesar de que o movimento clandestino de apoio era forte em Lourenço Marques, ele estava muito infiltrado. Se é que a própria sede não o esteve. Daí a fácil desarticulação dessa IV Região.
Joao Cabrita A declaração de 1964, apelando à “insurreição geral armada” é mais um exemplo do conceito de vitória rápida inicialmente defendido pela Frelimo. Para além de Cabo Delgado e Niassa (e da IV Região Militar que abrangia as actuais províncias de Gaza, Inhambane e Maputo), a Frelimo também pretendeu iniciar a luta na Zambézia e Tete.
Não dispondo de um exército com efectivos suficientes para cobrir todas essas zonas (segundo a narrativa Frelimo, em 1964 a Frelimo contava com apenas 250 guerrilheiros), logo concluí-se que a intenção era a de uma vitória rápida.

A previsão de Mondlane de que essa vitória seria alcançada em 5 anos é citada por a Robert C. F. Gordon, chefe adjunto da embaixada americana em Dar es Salam, num telegrama dessa embaixada para o Departamento de Estado com a data de 30 de Julho de 1964. Transcrevo do telegrama de 2 páginas:

“Mondlane said that Mozambique would be liberated five years from the beginning of the military offensive against the Salazar government.”
Gabriel Muthisse E, talvez, recordar um outro facto que atesta que Mondlane e Magaia foram sempre contrários aa perspectiva de uma guerra rápida. Antes do inicio da luta armada Che Guevara visitou Dar-es-Salam onde foi advogar a sua tese de "Foco Insurrecional" ou "Foquismo". Para Africa, esta teoria de Che tinha variantes: concentrar todos os combatentes africanos disponíveis, no Congo, para uma guerra rápida, sendo que, a partir daquele paiis, se procederia aa libertação dos outros países africanos. Mondlane e Magaia recusaram. Esta seraa a causa, entre outras, que determinou que, em quase todo o período da luta armada, os cubanos se dedicassem a denunciar Mondlane e a FRELIMO como revisionistas, ou mesmo como amigos dos imperialistas. As relações de Cuba com Mocambique so melhoraram apôs a independência. Na verdade, a FELIMO nunca, durante o tempo da luta, gozou das mesmas relações privilegiadas que ligaram Cuba ao MPLA, PAICG ou ZAPU.
Gabriel Muthisse Joao Cabrita, os "250" guerrilheiro não procederam a formações cerradas para ir atacar quartéis ou cidades. So isto "desconfirma" a sua tese de guerra relâmpago. Em 1964, a FRELIMO desdobrou as suas forcas em pequenas unidades, de não mais de 12 ou 15, para atacar pontos considerados frágeis do colonialismo. Esta ee uma indicação concreta de uma guerra de guerrilha, do tipo chinês. Mesmo para o sul, a FRELIMO não mandou um exercito. Enviou, isso sim, uma pequena unidade, talvez de menos de 20 elementos. Que guerra rápida podia, esta pequena forca, desencadear no coração da colônia? Não ha nada, na pratica de guerra da FRELIMO, que confirme essa tese de guerra relâmpago. Alias, toda a literatura da FRELIMO, todas as resoluções das sessões do CC, falam de guerra popular prolongada. E toda a disposição das forcas no terreno.
Joao Cabrita A recusa de Mondlane em envolver-se com Cuba no Congo não foi por causa da teoria de Che Guevara sobre focos insurreccionais, mas sim pelo facto desse envolvimento pôr em cheque a política dos Estados Unidos, dos quais Mondlane era aliado. A intenção cubana foi claramente definida antes da recusa de Mondlane: “Vamos criar dois, três, muitos Vietnames” – em África e na América Latina.
Mondlane até recusou instrutores cubanos, tendo estes acabado por se juntarem à força expedicionária de Che Guevara no Congo.

Em 1965, quando Mondlane recusou esse envolvimento, ele estava em negociações com os Estados Unidos para apresentação de uma proposta a Salazar, em que a Frelimo defendia a integração de Moçambique numa comunidade lusófona, sem estatuto de país independente. A independência nem constava da proposta.

Hoje a Frelimo pode dizer que estava contra as teorias de Che Guevara sobre focos insurreccionais, mas o facto é que em 1964 ela seguiu a mesma linha, pretendendo iniciar a guerra numa extensa zona sem ter exército para tal, como acima referi. 

É verdade que os documentos do CC falam de 'guerra prolongada', mas também é verdade que a Frelimo abandonou o plano de 'insurreição geral armada', anunciado em 1964, depois dos reveses já mencionados. Gabriel Muthisse não explica porque é que depois do desmantelamento da IV Região Militar e do fracasso na Zambézia, a Frelimo não reabriu essa região militar. Só reactivou a frente da Zambézia depois do 25 de Abril e como meio de pressão sobre Lisboa.
Gabriel Muthisse Che Guevara formulou essa frase "Vamos criar dois, três, muitos Vietnames" em 1967 ou 1968, quando ja estava na Bolivia. Foi numa mensagem que enviou aquando da reunião da Tricontinental. Portanto, muito depois de ter estado em Dar-es-Salam e no Congo. Eu estudei em Cuba, estudei a historia dos ataques das forcas de Fidel Castro aos aquartelamentos de Batista. Não teem nada a ver com o que foi a luta em Mocambique desde 1964. Em Cuba, Fidel Castro chegou a levar todas as suas forcas disponíveis para atacar um quartel (ver combate de Uvero, por exemplo). E tudo isso sem ter minimamente em conta a necessidade de mobilização e apoio popular. Os revolucionários cubanos achavam que com as suas vitorias, o apoio viria. Não foi, nunca, esta a postura da FRELIMO. Este movimento nunca concentrou todos os seus efectivos num único objectivo tático. Isto revela, para qualquer pessoa com conhecimentos mínimos nesta área, diferenças fundamentais entre o "Foquismo" e o modelo de guerrilha seguido pela FRELIMO. E, claramente, o modelo de guerrilha seguido pela FRELIMO não poderia, de nenhuma maneira, levar a uma vitoria rápida. Foi, sempre, muito parecido ao modelo Chines.
Gabriel Muthisse Ademais, a recusa de instrutores cubanos não tem nada a ver com Estados Unidos. A FRELIMO treinou guerrilheiros na Argelia e na China, países que não eram amigos dos americanos. A escolha do modelo de instrução teve a ver com a concepção de guerrilha que a FRELIMO tinha. Negociar com os portugueses não ee problema nenhum. Era (diplomaticamente) desejável que fosse feita essa negociação. Quando Mondlane se reuniu com a cúpula religiosa da Missao Suica em Ricatla, aquando da sua visita a Mocambique em 1961, ele disse aa sua audiência que não seria possível obter a independência sem guerra. Quase todos os presentes comunicaram-lhe que, embora desejando a independência, não apoiavam contudo a violência. Este facto mostra que Mondlane esteve sempre convicto da inevitabilidade da luta armada. E isto ee consistente com a decisão que tomou de trenar quadros para a guerrilha, quase logo a seguir ao I Congresso. Nesse momento em que Cabrita diz que Mondlane estava a negociar, esquece de dizer que ja tinha gente na Argelia a treinar para iniciar a luta armada.
Joao Cabrita Gabriel Muthisse está a pretender reescrever a história da Frelimo na era Mondlane, passando por cima da política cubana, dos alinhamentos de Mondlane com os Estados Unidos. 


A Conferência Tricontinental realizou-se em Janeiro de 1966, mas já antes em Argel Che Guevara havia enunciado a política externa cubana. Aliás, o conflito cubano-americano é anterior à Conferência Tricontinental e a Argel.

Mas a propósito das intenções cubanas no Congo, e para demonstrar que a teoria de focos insurreccionais nada teve a ver com a recusa de Mondlane, mas sim com as relações do presidente da Frelimo com os Estados Unidos, em Abril de 1965, Guevara disse a Abdel Nasser: "Creio que irei para o Congo pois neste momento é a zona mais quente do mundo. Com o apoio dos africanos, através do Comité [de Libertação da OUA] na Tanzânia, e com dois batalhões de cubanos, acredito que podemos desferir um golpe contra os imperialistas no coração dos seus interesses no Katanga." (1) 

Segundo Juan Benemelis, ex-funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros cubano, aquando da sua passagem por Acra em Janeiro de 1965, o presidente Kwame Nkrumah transmitiu a Che Guevara "as suas reservas sobre Eduardo Mondlane".

Idêntica advertência foi feita a Che Guevara por Pablo Rivalta, embaixador cubano em Dar-es-Salam. Ainda de acordo com Benemelis, que foi o primeiro encarregado de negócios na embaixada cubana em Dar-es-Salam, o embaixador Rivalta advertiu Che Guevara de que os acampamentos de treino de guerrilheiros da FRELIMO na Tanzânia, estavam 'contaminados' por membros do 'Corpo da Paz. (Peace Corps). (2)

Portanto, esta postura cubana em relação aos Estados Unidos foi antes da Conferência Tricontinental.
E se Gabriel Muthisse for ler o artigo de Teofilo Acosta (“Desenmascarado el presidente del Frelimo”), publicado no jornal Juventud Rebelde, Havana 21 de Maio de 1968, não encontra nenhuma referência à teoria de focos insurreccionais como estando na origem da disputa entre Mondlane e Cuba.

1. Piero Gleijeses, Conflicting Missions: Havana, Washington, and Africa, 1959-1976, The University of North Caroline Press, 2002.
2. Juan F. Benemelis, Castro - Subversão e terrorismo em África, Europress, Odivelas,1986.

Gabriel Muthisse Ninguem estaa a reescrever a historia. O que disputo ee a sua ideia de que Mondlane apostava na negociacao de uma acomodação qualquer no sistema colonial. E digo-lhe que isso não ee consistente com toda a preparação militar que Mondlane patrocinou, logo depois do I Congresso. Disputo também, com factos, políticos e militares, a sua tese de que a FRELIMO e Mondlane apostaram, alguma vez, numa guerra rápida. Para este efeito demonstro que o desdobramento militar dos efectivos da FRELIMO no terreno nega essa eventualidade. Ninguem persegue vitoria rápida atacando o inimigo com pequenas unidades, de entre 12 e 15 homens. Digo ainda que, mesmo a IV Regiao Militar não confirma o que Cabrita diz. A FRELIMO não enviou para o sul um exercito. Enviou uma pequena unidade de guerrilheiros, que não devia ultrapassar o numero de 15. Não se toma todo o sul, em pouco tempo, com um efectivo de 15 guerrilheiros. Tudo isto demonstra uma pre-disponibilidade para uma guerra popular prolongada. Por fim, disputo a sua tese, muito repetida, de que Mondlane apostava mais em negociações. E digo-lhe que ja em 1961 ele disse aa cúpula da Missao Suica que não era possível independência sem guerra. E isto ee consistente com a preparação militar que encetou na Argelia, no Egipto, em Israel e em outros países.

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