quinta-feira, 24 de março de 2016

Fome e seca provoca vaga de deslocados no centro de Moçambique

A fome e seca estão a provocar uma nova vaga de deslocados nas províncias de Sofala e Manica, centro de Moçambique, com centenas de pessoas a deixarem lares à procura de terras férteis, disse hoje à Lusa fonte estatal.

Pelo menos 65 famílias, num total de 360 pessoas, abandonaram o distrito de Maringué, província de Sofala, para se instalar no distrito de Barué, em Manica, a procura de melhores condições de vida e terras férteis para prática da agricultura, após a seca ter destruído "esperanças na colheita".
"Em 15 dias estamos a assistir um grande movimento de pessoas de Maringué para Barué por carência alimentar e à procura de terras férteis", disse à Lusa João Vaz, delegado do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Manica, adiantando que a maioria dos deslocados chega apenas com uma sacola de roupa.
Face à situação, o governo de Manica abriu um centro provisório de acolhimento na região de Inhazonia, a norte de Catandica, a sede distrital de Barué, onde foram montadas 45 tendas para acomodar os deslocados, acrescentou.
Ao mesmo tempo está a ser feita a distribuição de mantimentos e produtos para a purificação de água de consumo das vítimas da seca e da fome, e a distribuição de talhões para a instalação definitiva das famílias.
"A cada dia estão a chegar mais deslocados e os apoios também vão chegando" precisou João Vaz, assegurando que as autoridades locais se surpreenderam com a vaga de deslocados, e têm buscado soluções para o êxodo da população devido à seca.
"Todos os deslocados serão distribuídos por talhões, mas quando as condições melhorarem e preferirem voltar para Maringué não haverá problemas", disse João Vaz, salientando que o grupo vai receber ainda apoio em sementes e insumos agrícolas (enxadas e catanas) para o início da atividade agrária.
Maringué é um lugar histórico de agitação militar e de influência da oposição da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que tem vivido entre uma seca que mata aos poucos e a ameaça de novos confrontos militares.
Em 2013, Maringué tornou-se "distrito fantasma" na sequência de fortes confrontos entre as forças governamentais e o braço armado da Renamo que forçaram a fuga da população para as matas.
Desde a votação, em outubro de 2014, a tensão política em Moçambique não para de aumentar e a inquietação voltou a Maringué, que o próprio Afonso Dhlakama, líder da Renamo e ex-residente, apresentou como um exemplo do início da sua governação, prevista para este mês.
AYAC (HB) // EL
Lusa – 24.03.2016

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