segunda-feira, 14 de março de 2016

Empregado de deputado desaparece das celas da Polícia

Um cidadão de 40 anos de idade, Santos Namorela, natural do distrito de Ile, Zambézia, desapareceu, há dias, da cela da 6ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), Município da cidade da Matola, Província de Maputo, onde tinha sido encarcerado na sequência do roubo de vinte mil rands do seu patrão, o deputado Caifadine Manasse.
Dados recolhidos pelo domingodão conta que a referida quantia estava guardada numa das viaturas do político, estacionada no seu quintal, no bairro de Infulene, Matola.
Conforme foi narrado, ao notar o desaparecimento do valor, Caifadine Manasse teve uma conversa aturada com o seu empregado, ora acusado, na tentativa de o convencer a revelar onde tinha deixado o montante.
Frustrada esta alternativa, Manasse solicitou a presença de agentes policiais e seu trabalhador foi detido no passado dia cinco de Março, sábado. 
Ainda de acordo com relatos de testemunhas, houve, por parte do deputado, um pedido especial de forma que os agentes da polícia trabalhassem no sentido de fazer o seu empregado devolver o seu dinheiro.
Uma vez levado até à 6ª esquadra da PRM, no Infulene, conta-se que foi torturado e, mesmo assim, não chegou a admitir a acusação.
DA ESQUADRA PARA
DESTINO DESCONHECIDO
Após a detenção de Santos Namorela, no sábado, o irmão do acusado recebeu a notícia na noite do mesmo dia. Ao amanhecer, no domingo, dirigiu-se ao local de trabalho do seu familiar, de onde saiu na companhia da esposa do deputado até à esquadra onde Santos se encontrava encarcerado.   
Já na esquadra, a senhora solicitou o encontro com o detido, mas para surpresa dos dois visitantes, o agente que teve a missão de ir à cela buscá-lo, poucos minutos depois, voltou com a informação de que não o tinha encontrado.
O desaparecimento do referido cidadão está a atormentar a família que cogita várias possibilidades, inclusive que ele não esteja vivo.
 Contactado pelodomingo o deputado Caifadine Manasse afirmou que não podia falar sobre o assunto e, uma vez que o seu empregado sumiu das instalações da PRM, somente esta instituição devia prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.  
Entretanto, a nossa Reportagem soube que a equipa que trabalhou no dia em que o indiciado desapareceu está a fazer diligências naquele bairro desde a última terça-feira, pois se suspeita que o mesmo tenha se evadido e de seguida se escondido na casa da sua namorada que fica nas imediações da casa onde trabalhava.
Contactado pela nossa equipa de Reportagem, o Porta-voz da PRM, província de Maputo, Emídio Mabunda, disse que já foi formada uma equipa com vista a apurar o que terá acontecido. A mesma já está a trabalhar.     
Não se troca
dinheiro por vida
- Alexandre Namorela, irmão  
Alexandre Namorela, irmão de Santos, lamenta o sucedido e acusa tanto a polícia, como o patrão do seu irmão de darem mais importância ao dinheiro em prejuízo de uma vida. 
 Insatisfeito com as respostas da polícia, acredita que a corporação saiba o que terá acontecido ao seu irmão, e não pretende revelar.
“Quando vou à esquadra dizem-me que fugiu. Mas, paradoxalmente, nos primeiros dois dias, domingo e segunda-feira, diziam-me que não sabiam. E eu questiono, como é que conseguiu fugir se estava detido na esquadra?
Este caso está, também, a gerar burburinho porque, de acordo com Alexandre Namorela, na altura do desaparecimento do dinheiro, para além do seu irmão, havia mais gente naquela casa.
Para ele, não houve o cuidado de ouvir ou investigar as outras pessoas que estiveram no local do crime, a detenção foi baseada nas declarações do dono da casa, daí que indaga: “será que um membro da família não pode ter roubado esse dinheiro?  
Com efeito,Alexandre não acredita que seu irmão tenha cometido tal crime porque vinha trabalhando naquela residência há quase dois anos e era da confiança dos patrões.
Para atestar estas considerações, lembrou que, a dado momento, seu familiar tinha deixado de trabalhar naquela casa, em Maio do ano passado, 2015. Mas, porque o casal Manasse apreciava seus préstimos,“em Dezembro a patroa pediu, telefonicamente, que ele voltasse alegadamente porque a sua família sentia a sua falta, uma vez que o consideravam um bom trabalhador. Custearam as despesas da viagem e em Janeiro o Santos retomou os trabalhos”, revelou.

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