quarta-feira, 9 de março de 2016

Diabo da unidade dos moçambicanos

Diabo da unidade dos moçambicanos


Numa 'postagem' de há mais de 13 horas, o Elvino Dias, jurista moçambicano natural do Norte de Save e residente na Cidade de Maputo, a Capital da República de Moçambique, escreveu o seguinte:
«Sem pendor regionalista, tribalista ou sei lá, o número dos refugiados nos últimos dias no acampamento de Kapisse preocupa-me. Preocupa-me mais a indiferença do nosso Governo e dos médias públicos em torno do assunto. Fiquei triste quando li hoje num órgão de comunicação social estrangeiro que o nr actualmente oscila aos 11.000 refugiados, vivendo em condições desumanas, trazidas ao público pela stv. 
«Aqui fica a pergunta: Seria esse o comportamento das nossas autoridades e dos médias públicos, se aqueles compatriotas fossem do sul de Moçambique? Tenho imensas dúvidas. É que isso dói, dói de verdade.»

Quem lê esta "dor" do Elvino Dias fica com a impressão de que o Governo de Moçambique é «insensível» para com os problemas dos moçambicanos que passam pela situação que ele descreve no seu texto por serem do Sul de Moçambique (i.e. a região de Moçambique a Sul do Rio Save). De facto, é intenção deliberada do Elvino Dias dar essa impressão ERRADA. O objectivo dele é fomentar o divisionismo fundado na região de origem entre os moçambicanos.
Com efeito, quem vive e conhece Moçambique sabe que o Governo deste país nunca foi dominado por uma só etnia. Houve sempre um esforço bem-sucedido de incluir todos os grupos étnicos moçambicanos nos lugares de direcção dos destinos do país, exactamente para combater o regionalismo. Não há moçambicanos especiais por serem originários de uma determinada região de Moçambique. Quem fomenta essa ideia—tal como o faz o Elvino Dias no seu texto—, é um indivíduo de má fé e é preciso que se tenha muito cuidado com as suas opiniões.
A verdade é que, ontem e hoje, o Governo de Moçambique foi sempre constituído proporcionalmente por um maior número de pessoas do Norte do que Sul do Save. Este é um critério de partilha de postos de direcção que é praticado para promover a unidade nacional e no respeito pela distribuição e geográfica e diversidade étnica da população moçambicana. Hoje, a Frelimo e a República de Moçambique são dirigidos por um indivíduo que é natural do Norte do Save (mais precisamente, do Norte do Zambeze). O Governo também é constituído por uma maioria de pessoas originárias do Norte do Save. A Cidade de Maputo—a Capital da República de Moçambique—, igual que todas as capitais políticas do mundo, é uma cidade com uma população representativa de todos os grupos sociais, de todas as etnias e todas as raças existentes em Moçambique. O próprio Elvino Dias, sendo nautral do Norte do Save, vive na Cidade de Maputo e contribui, portanto, para o desenvolvimento do município da Cidade de Maputo e não do seu local de nascimento.
A propósito do desenvolvimento, é oportuno esclarecer que as províncias de Maputo (exceptuando a Cidade de Maputo), Gaza e Inhambane, localizadas no Sul do Save, são entre as mais pobres de Moçambique. Na lógica do Elvino Dias, isto ocorre por causa da «insensibilidade» do Governo. Entretanto, os primeiros três (3) presidentes de Moçambique independente são originários do Sul do Save. Como é que o Elvino Dias explica que esses presidentes tenham relegado a sua região de origem ao subdesenvolvimento? Será porque «não tiveram sensibilidade»? Eu acho que não! Acho que eles (os nossos primeiros três presidentes, assumindo que leitor é moçambicano como eu) olharam para Moçambique como um todo e perceberam que o desenvolvimento deveria começar por onde beneficiaria o maior número de moçambicanos. Isso explica porquê é que as províncias do Norte do Save têm mais infra-estruturas que as províncias do Sul do Save (exceptuando a Cidade de Maputo).
Note-se que em 40 anos de independência, a região de Moçambique a Sul do Save não se beneficiou de quase nenhuma estrada, ponte ou barragem de raiz, quando comparada com a região a Norte do Save. Só recentemente é que infra-estruturas de raiz começaram a ser construídas nas províncias de Moçambique a Sul do Save. Portanto, nem se quer é verdade que a região de Moçambique a Sul do Save é mais desenvolvida que a região a Norte do Save. Ou seja, o discurso sobre as "assimetrias regionais" há muito que é uma falácia, se se colar de parte o aspecto sociocultural. Incluindo o aspecto sociocultural, observa-se uma ligeira assimetria no que respeita mormente à escolarização da mulher, com o Norte do Save tendo proporcionalmente mais mulheres menos instruídas do que o Sul do Save. Mas isto é consequências de práticas socioculturais do que propriamente de políticas de desenvolvimento. Na realidade, polos de desenvolvimento existem em todos as regiões de Moçambique—mais na região a Norte do Save do que na região a Sul do Save—, e o país está a desenvolver-se integralmente a partir desses polos.
Enfim, os moçambicanos precisam de estar atentos e vigilantes, para identificar e isolar—para tratamento devido—indivíduos que fomentam o divisionismo baseado na região de origem ou grupo étnico. Infelizmente, temos muitos desses indivíduos aqui no Facebook e noutros espaços de interacção social entre os moçambicanos, incluindo na política e na comunicação social. O objectivo desses indivíduos é dividir os moçambicanos para enfraquecer Moçambique. Em retrospectiva, temos que estar lembrados de que enquanto estivemos divididos na base da região de origem, grupo étnico ou tribo, não conseguimos evitar a dominação que fomos sujeitos por outros povos. Foi a nossa unidade que nos tornou um povo forte e vitorioso. A nossa unidade é, portanto, a nossa maior força para assegurar a nossa viabilidade como um povo soberano. Discursos que estimulam sentimentos secessionistas ou separatistas devem ser denunciados e os seus autores identificados e isolados intelectualmente. Esses discursos são feitos por indivíduos alienados, ao serviço do neocolonialismo. Tais indivíduos são inimigos da unidade dos moçambicanos e da sua pátria; não merecem o nosso respeito, ainda que os possamos tolerar entre nós. Sim, podemos e devemos permitir que eles indivíduos inimigos da nossa unidade convivam connosco, mas devemos nunca permitir que nos manipulem a favor dos seus desígnios. Eles são uns coitados porque despidos do sentido de pátria, mas são úteis por nos permitirem apreciar e valorizar a nossa unidade. Trata-se da outra face de uma moeda, que não pode existir sem as duas faces. Numa palavra, temos que encarar a nossa unidade como o nosso Deus e os seus detractores como o Diabo.

Comments
Elvino Dias Infelizmente, o meu irmão escreveu muito mas esqueceu o essencial. A minha indignação era a indiferença do Estado moçambicano em torno do assunto que é inversamente proporcional ao número de refugiados que todos os dias se fazem àquele local. Aliás, fui claro na minha introdução que não pretendo discutir questões de natureza regionalista ou tribal. E se é um assunto que o Presidente Mondlane ultrapassou faz tempo, pretendia apenas discutir a indiferença do Estado moçambicano face ao sofrimento dos nossos concidadãos que nos foi trazido pela stv. Fiquei feliz quando minutos depois da publicação do meu artigo alguém disse me que o Governo acabava de passar nos médias um comunicado em torno do assunto. Ficarei ainda mais satisfeito se souber que algo palpável está sendo feito para resolver a questão.
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Marcos Cipriano Maulate E qual é o seu conselho em relaçao a Renamo? o epicentro do assunto?
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Julião João Cumbane Atenta à esta tua pergunta-reposta, Elvino Dias: «Seria esse o comportamento das nossas autoridades e dos médias públicos, se aqueles compatriotas fossem do sul de Moçambique? Tenho imensas dúvidas.» É exactamente este trecho do teu texto que tem cunhoregionalista. Tu Elvino Dias, achas que «se aqueles compatriotas fossem do sul de Moçambique» teriam um tratamento diferente. Porquê que pensas assim?!... Podes responder, Elvino?...
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Artur Sitoe Ha muitos que se aproveitam da situacao para demonstrar o quão mediocres sao e sobretudo para exibir o Grau de colonizacao ou dos seus efeitos nas suas mentes (divide and rule). A Renamo nao escolhe pessoas por regiao, esta a assassinar a todos e é triste, caso seja, que um jurista tenha tal Pensamento.
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Elvino Dias Penso assim porque os de cá estão próximos da metrópole que os de lá, e naturalmente a atenção do governo é redobrada. Análise as coisas como académico de mão cheia que conheço.
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Marcos Cipriano Maulate Elvino Dias, voce nao me respondeu quanto o seu conselho para a Renamo sobre esse assunto, sendo que ela é a promotora dessa questao.
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Artur Sitoe O Ministro Baloi falou de visitas e accoes do Governo em relacao ao assunto. Isso é mesmo indiferença Meu compatriota?
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Elvino Dias Infelizmente, o artigo do meu irmão Julião JoãoCumbane pôs me na praça pública, perante um Estado como o nosso onde um simples tossir i indivíduo é perseguido, a minha morte dever-se-a a sua publicação meu irmão, pelo que, já comuniquei a minha família nesse sentido. E que o maior culpado disso é o meu irmão Julião que está a fazer interpretação errada e pessimista das coisas em meu desfavor
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Marcos Cipriano Maulate Estas a ser parcial nos seus post, pois se voce tem algum conselho ou critica a fazer sobre o assunto em discusao tens que questionar as duas partes, coisa que voce nao sabe fazer.
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Amilton Munduze "Enfim, os moçambicanos precisam de estar atentos e vigilantes, para identificar e isolar—para tratamento devido—indivíduos que fomentam o divisionismo baseado na região de origem ou grupo étnico" (Juliao Joao Cumbane). Cuidadob irmao com o tratamento devido! Muito cuidado.
Elvino Dias Não entendi o que quiseste escrever Amilton Munduze.
Wilson Profirio Nicaquela Nicaquela No tempo em que a guerra estava adormecida, o nosso discurso e dos políticos estava orientando para o desenvolvimento, falava-se do "combate a pobreza absoluta" [sic]. Aliás, era comum acadêmicos de 《luxo》 nos brindarem com "paz não significa apenas o calar das armas" [sic]. Hoje, são as armas que de novo roubaram-nos a Santa paz! Quero terminar, dizendo que quando há unidade, dela não se fala sempre! Quando a paz existe não se advinha! Quando não há guerra a paz mesmo relativa ajuda a mudar tarefas sociais. Enfim a ver estamos se vale ter armas caladas ou nunca!
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Julião João Cumbane «os de cá estão próximos da metrópole que os de lá, e naturalmente a atenção do governo é redobrada.» (sic). Este pensamento tem cunho regionalista, Elvino Dias. O entendimento deste tipo de mensagens para quem não está no Sul não é aquele que tentaste transmitir no teu primeiro comentário. O teu segundo comentário piora o sentimento de ódio dos que não são do Sul pelos que são do Sul. Com este tipo de pronunciamentos, tu estás a instigar o divisionismo baseado da sua região de origem entre os moçambicanos. Pensa bem, Elvino Dias! ...
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Mouzinho Zacarias Eu tenho medo de Julião cubana parece que este senhor tem muito poder nas mãos
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Homer Wolf Cumbane, não "cubana"... 
Emoji smile
El Patriota De facto.... Receio que estejamos a caminhar para as proezas que criaram a mancha de sangue que inundou o Ruanda em 1994.
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Julião João Cumbane El Patriota, não estás a querer negar que os Rios Save e Zambeze dividem Moçambique e três regiões agroecológicas e climáticas bem distintas, nomeadamente Sul (a Sul do Save), Centro (entre Save e Zambeze) e Norte (a Norte do Zambeze). Esta divisão não coincide exactamente com a divisão político-administrativa, como bem sabes (...). Ora, no meu texto e nos meus comentários, faço distinção entre os naturais/originários do Sul do Save e do Norte do Save, porque que os apologistas secessionismo usam o Rio Save como a fronteira natural para o seu projecto. Não sabes disso, El Patriota?!... O que eu estou a dizer é que vamos combater o divisionismo baseado na região de origem, mas isto não implica não falarmos do local de nascimento de alguém...
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El Patriota Excelente, professor. Convido-lhe a mudar-se para o norte do Save. Concretamente na esquecida e empobrecida provincia do Niassa.
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Saugina Mangoel Banze Mesmo tentando inverter tudo como é o caracter do g40, axo k é tarde de mais.

O governador de Tete caíu no ridículo quando tentou transferir a culpa do governo para a renamo.
Governo é kem manda seus kapangas incendiar as casa dos cidadãos de Tete supostamente pork escondem homens armados da renamo. Isso é k provocou esta situaçao de refugiados. E a renamo onde é k entra? Estamos bem atentos de olhos aberto sim.
Ontem é muito diferente de hoje!
Elvino Dias Tenho família para cuidar meu irmão Julião João Cumbane. Peço encarecidamente para apagar o post. Conheço o país em que vivemos
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Lindo A. Mondlane Mas escreveste isto ne? A vida é dura ha q ser consecuente amigo
Mouzinho Zacarias Julião tenha pena de elvino dias,coitado,peço para pagar o post
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Cristiano Daniel Rosario Naene Prezado Elvino, admito que não tenha tido a intenção de proferir uma frase de cunho regionalista, mas inegável que o seu post está eivado de um forte pendor regionalista. Se não veja a transcrição "ut dicit": «Aqui fica a pergunta: Seria esse o comportamento das nossas autoridades e dos médias públicos, se aqueles compatriotas fossem do sul de Moçambique? Tenho imensas dúvidas. É que isso dói, dói de verdade.» sugere aqui, que se aqueles nossos conterrâneos só se encontram votados aquela situação por uma única razão, não serem do sul. Meu caro, se não assumi que era isso que pretendia dizer então o aconselho a ser mais ponderado ao transcorrer o seu pensamento. Vivemos momentos de grandes apertos no que diz respeito a nossa situação politica e incendiários não faltam, eu escolho ser o bombeiro, e tu?
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El Patriota Hipocritas. Ate parece que o Elvino mentiu.
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Homer Wolf Ntsem...
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Julio Muambale Concordo e muito com o Juliao Joao Cumbane, e para mim e muito triste quando um pronunciamento destes " Etnizar os problemas do pais" vem de alguem instruido que supostamente deveria contribuir para a unidade e desenvolvimento da nossa patria amada, o problema dos nossos irmaos no malawi nos preucupa a todos como mocambicanos que somos, mas o Dr Elvino foi infeliz na elaboracao do post.
Marcos Cipriano Maulate Sempre Elvino Dias, foi infeliz nos seus comentários pelo facto de ser muito parcial que imparcial.
Milton Chembeze O Professor nas vésperas da morte do Cistac apoiou a eliminação dele (juntamente com o Kalashinikov) e hoje vem aqui nos dizer que fulano é perigoso.

E tu Professor, não és perigoso?
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Catman Mandlazi Mesmo o PR é do norte. Este problema Não tem nada a ver com etnias. Que procure outra razão.
Homer Wolf Mas qual é o problema de o Elvino ter feito um questionamento, que lhe pareceu lícito e legitimo? 

A meu ver é so uma questão de opinar (concordar ou discordar) sem precisar de andar a rotular o postante de "perigoso, divisionista, etc etc"... e ainda por cima exortar aos mozes para estarem vigilantes e blá blá
Desassuntos so'...

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Amilcar Joaquim Inguane Enfim, tenho a sensação que há muitos que pensam que sul do save é apenas a cidade de Maputo e queiram comparar com Lichinga .... e pior ainda, quando não tentar fazer o mesmo exercício comparativo entre Beira e Xai-Xai ou Inhambane com Nampula e depois desembocam nesses delírios irealísticos e sem bases para a Bárbara e triste comparação que até gente escolarizada faz....

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