quarta-feira, 2 de março de 2016

Carta Aberta ao governador do Bengo, João Miranda - Admar Jinguma

Luanda - CARTA ABERTA AO GOVERNADOR DA PROVÍNCIA DO BENGO, JOÃO BERNARDO MIRANDA
Os melhores cumprimentos.
Não havendo outro canal onde lhe possa fazer chegar a minha indignação, para quem, como eu, que não milita em qualquer CAP, espero que a partir deste o Senhor tome contacto com algumas das preocupações que gostaria de lhe fazer chegar, caso tivesse a rara oportunidade de privar com o Senhor e trocar algumas impressões.

Já que Vossa Excelência é bastante rigoroso, pelo que se diz, e gosta que as pessoas, ao se comunicarem consigo, sejam breves e detalhem com objectividade o que pretendem tratar, então vou directo ao ponto.

Escrevo­-lhe para lhe falar de Caxito, essa capital da nossa Província que vós ousais chamar de cidade, numa clara desvirtuação à real acepção dessa palavra.

Quando vossa Excelência foi apresentado em 2009 à população local em substituição do Dr. Jorge Inocêncio Ndombolo, para assumir os destinos da Província que também o viu nascer, fui convidado por um vizinho meu a ir à tal cerimónia, mas declinei imediatamente o convite, sob o pretexto de que não esperaria muita coisa da governação do senhor. Volvidos sete anos, desculpe­me a franqueza, parece­me que não me enganei! Porém, aquando da última visita do Presidente da República à Caxito, a 23 de Maio de 2013, para ser mais preciso, agradou­me a contundência do seu discurso, tendo­lhe dado na época, um “pequeno­grande” voto de confiança, que agora retiro.

Desde a sua ereção como capital de Província, por força da lei 3/80 de 26 de Abril (fonte: site do Governo da Província do Bengo), Caxito nunca beneficiou de qualquer obra de requalificação de realce, e a situação da nossa já degradada capital vai se agravando dia­pós­dia, à medida que a chuva vai se mostrando ser mais eficaz que o Executivo que vossa Excelência representa localmente.

Afinal de quem é a culpa? Se não é do Senhor, que não morra solteira, ou que ao menos nos venha dizer isso mesmo, e se demita de imediato para que o seu nome não continue sendo atirado na lama, que, aliás, Caxito tem de sobra! Se ao senhor não lhe é atribuído verbas para a requalificação urgente de que Caxito tanto clama, transmita ao menos a quem de direito que nós estamos fartos; chegamos ao limite; estamos cansados de ser a única Província onde a capital não tem qualquer diferença com um bairro periférico qualquer!
 Admar Jinguma
Basta de paliativos e do chão bruto em alguns pontos mais críticos! Eu, como pode calcular, não domino os bastidores da vossa governação, e como ninguém se lembra de falar connosco no período em que não há campanha eleitoral, não posso adivinhar as razões de tamanho desprezo e desrespeito às populações do Bengo, que em 1992 elegeram quatro deputados e cinco em cada um dos dois últimos pleitos eleitorais, a favor do Partido que o senhor representa e dirige na nossa Província.

Gostaria de Lhe fazer uma pergunta, que não é retórica, embora não saiba como o senhor me vai responder. Quando se anuncia a vinda à Caxito de uma alta entidade da nação, vossos auxiliares precipitam­se em fazer aqueles tapa­buracos vergonhosos, para passar a imagem de que as coisas andam bem por essas bandas. De onde tem vindo o dinheiro para tais fins?! Ainda existe? Então ao menos finjam que virá visitar Caxito a mais Alta Entidade da Nação, para que façam alguma coisa! Ou vossa Excelência não sente qualquer remorso com a triste fotografia de Caxito?!

Um recado final aos meus detratores. Podem já abrir as hostilidades com as ameaças e a diabolização de sempre; e podem ir até mais longe, se quiserem, estou preparado. Mas a vossa atitude cobarde só mostra que também sois cúmplices e culpados com o “status quo”! Embora nós saibamos que, “de caxexe”, como se diz no nosso Caxito, vós sois bastante críticos à maneira como a nossa Província é desgovernada. Mas como precisam justificar os vossos altos salários só dizendo “SIM”, porque o “NÃO”, quando necessário, não faz parte do vosso dicionário, tendes a minha bênção, de um ex­candidato ao sacerdócio. Mas enquanto não fizerem nada que melhore a imagem de Caxito, podem crer que não nos calaremos.

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