sábado, 5 de março de 2016

104 risonhas primaveras

O dia de ontem ficou marcado por uma história de longevidade. Aida Quechane celebrou 104 anos de vida e tornou-se numa das pessoas mais idosas do país.
Aida Quechane nasceu no dia 5 de Março de 1912, na pacata região de Ka Ntivana, em Taninga, distrito da Manhiça, na província de Maputo. A sua infância não foi diferente da de muitas outras crianças nascidas no campo, tendo brincado com bonecas de trapo, jogado neca e tido conversas de ocasião com outras raparigas da zona.
Por cima dos seus 104 anos, a anciã contou-nos que na meninice não brincou tanto, pois a maior parte do seu tempo estava dividido entre os trabalhos de casa e a machamba, principal actividade de sustento da família. Foi na região da Palmeira, ainda no distrito da Manhiça, que conheceu e se apaixonou pelo primeiro e único amor da sua vida, João Solomone Cossa, com quem mais tarde contraiu matrimónio em 1951. Infelizmente o marido não está vivo para celebrar o feito com a nossa entrevistada!
Depois de ter perdido o marido Aida Quechane não cruzou os braços, enfrentou a vida para assegurar a educação dos filhos.
Aliás, a afável centenária gerou onze filhos, quatro rapazes e sete meninas, infelizmente três prematuramente perderam a vida. Actualmente Aida Quechane possui na sua árvore genealógica um total de 55 netos, acima de 50 bisnetos e muitos trisnetos.
MUDANÇA PARA LOURENÇO MARQUES
Depois de casada Aida e o marido transferiram-se da Manhiça para a então cidade de Lourenço Marques (hoje Maputo), onde residiram durante muitos anos no recinto da actual Escola Industrial 1.º de Maio, situada na esquina das avenidas Vladimir Lenine e 24 de Julho.
Naquele local Aida e o marido destacaram-se pelo facto de terem construído um lar generoso que acolhia muitas pessoas vindas do campo que pretendiam instalar-se na cidade de Maputo.
Segundo apurámos, todos os filhos do casal nasceram enquanto habitavam naquele estabelecimento de ensino. Aliás, o marido era funcionário daquela instituição. Da então cidade de Lourenço Marques, Aida destacou o facto de terem existido autocarros eléctricos que se moviam sobre linhas-férreas em grande parte das avenidas.
O SEGREDO DA LONGEVIDADE
Aida Quechane não consegue explicar, por palavras suas, o segredo que lhe levou a atingir a idade centenária, preferindo atribuir tal proeza aos destinos da natureza.Só sei que cheguei até estaidade. Não sei se foi Deus queme deu. Não foi porque euquis assim. A natureza quisque assim fosse, frisou a centenária.
Com 104 anos de idade, Aida aceita que a sua saúde já não é a mesma da sua juventude. Agora para caminhar precisa de apoio ou recorrer à ajuda de um andarilho. A nossa entrevistada disse que nunca teve maus vícios, isto é, nunca ingeriu bebidas alcoólicas, nunca fumou e jamais experimentou drogas. O único tipo de actividade desportiva que “praticou” foi pegar na enxada e lavrar a terra para produzir comida para o sustento familiar.
Desafiada a transmitir ensinamentos aos mais novos para que possam viver muito tempo quanto viveu, ela foi peremptória na resposta: Por mais que eu diga nãopoderão atingir a minha idade.Sabe, a nossa geração ea de agora não são a mesmacoisa. Eu atingi esta idadepor causa dos trabalhos quefazia, disse.
Espero atingir
100 anos
- Julieta Cossa, filha mais velha, 74 anos
Julieta Cossa disse ter a esperança de alcançar a longevidade que a sua mãe atingiu na vida, tendo realçado como sendo um marco que orgulha todos os filhos da vovó Aida. Como principais ingredientes para que se possa viver muitos anos de vida Julieta Cossa destacou o não consumo de bebidas alcoólicas e cuidados na alimentação.
A minha mãe foi muito exemplar. Não é fácil cuidar de onze filhos, cada um com a sua forma de ser. Nós cuidamos dela porque ela merece, reconheceu.
Retribuimos o
que fez por nós
- Rabeca Cossa, filha, 71 anos
A segunda filha da centenária, Rabeca Cossa, considera que todos os filhos se empenham em cuidar da mãe, como forma de retribuir a atenção que ela teve na educação dos seus descendentes.
Agimos assim para retribuir a educação que nos deu. Queremos também transmitir aos nossos filhos os ensinamentos que tivemos com a nossa mãe, destacou.
Rabeca definiu a sua progenitora como sendo uma mãe que teve sempre o cuidado na educação dos filhos. Para ela era imperioso que todos estudássemos, disse.
Conheci
a minha bisavó
João Lindo Nlhongo, neto mais velho
Aos 53 anos de idade, o neto mais velho da vovó Aida disse ter sido criado numa primeira instância pela sua bisavó e mais tarde pela sua avó, que ontem completou 104 anos de vida. Felizmente eu tive a sorte de ter conhecido a minhabisavó e conheço a minha avó, pois cresci lá na Manhiça.Todos os ensinamentos que eu tive da vida posso dizer que bebi mais das mulheres, disse.
João Nlhongo admitiu que pela vida que hoje se leva seria um pouco difícil arriscar em concordar que possa viver igual
número de anos da sua centenária avó.
Texto de Benjamim Wilson
benjamimwilson31@gmail.com

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