sábado, 27 de fevereiro de 2016

Primeiros resultados antecipam grande votação dos reformistas no Irão


Lista conjunta de oposição aos conservadores à frente na votação para o Parlamento e para a Assembleia de Peritos na capital.
O encerramento das urnas foi adiado cinco vezes, por um total de seis horas. BEHROUZ MEHRI/AFP
Com 44% dos boletins contados, os candidatos reformistas e moderados que concorreram coligados às eleições legislativas de sexta-feira no Irão lideravam por vasta margem em Teerão, estando a um passo de conquistar 29 dos 30 lugares do Parlamento em jogo na capital.
Encabeçada por Mohammad Reza Aref, candidato reformista nas presidenciais de 2013, que abandonou a corrida em favor do actual Presidente, o moderado Hassan Rouhani, a lista formada para tentar pôr fim à maioria dos conservadores na câmara de 290 lugares foi a escolhida por 1,3 milhões ds 2,9 milhões que votaram no grande centro urbano do país.
De acordo com os resultados parciais – os finais só serão conhecidos na segunda-feira –, o cenário noutras regiões era diferente de Teerão. Mas as agências de notícias do país antecipavam que os reformistas conseguiriam conquistar a maioria no Parlamento. A grande afluência provocou cinco adiamentos sucessivos do encerramento das urnas num total de seis horas.
Mais de 60% da população foi às urnas numas eleições duplas (algumas estimativas apontavam para 70%), destinadas ainda a decidir a constituição da influente Assembleia de Peritos – órgão que nomeia, aconselha e destitui o Supremo Líder, actualmente o ayatollah Ali Khameni, de 76 anos. 
O Presidente Rouhani e o seu aliado, o ex-Presidente Akbar Hahsemi Rafsanjani, conquistaram a maioria dos lugares para a Assembleia de 88 membros. Teerão escolhe 14 deles e os resultados provisórios indicam que os 13 primeiros pertenciam à lista dos reformistas.
Estas eleições são as primeiras desde que foi assinado o acordo sobre o seu programa nuclear, primeiro passo na agenda de abertura do país ao mundo de Rouhani, e têm o potencial de alterar o equilíbrio de poderes no Irão por uma geração.
Estão a ser encaradas como um plebiscito à reabertura do país ao mundo e às políticas moderadas de Rouhani, eleito em 2013 com um programa reformista, que foi em parte travado pelo Parlamento conservador. Acabar com o domínio conservador abre também caminho a uma sua reeleição, em 2017.  
“A competição acabou. É tempo de abrir um novo capítulo no desenvolvimento económico do Irão, baseado nas capacidades domésticas e nas oportunidades internacionais”, afirmou o Presidente, citado pela agência oficial IRNA. “O povo mostrou uma vez o seu poder e deu mais credibilidade e força ao seu governo eleito.”
A repartição do poder por várias instâncias iranianas, incluindo o Supremo Líder, dificulta também prever que tipo de agenda será permitida a Rouhani, mesmo que termine a maioria conservadora no Parlamento – centenas de candidatos reformistas e moderados foram impedidos de concorrer pelo Conselho dos Guardiões, numa demonstração dos vários instrumentos de controlo político no país. 

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