quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

As nossas dores


Dentre os vários temas quentes que põem a Pérola do Índico em grande alvoroço neste momento figuram, no topo, a contratação do treinador para os Mamba e as irregularidades criminosas protagonizadas pelo INSS. O que é interessante observar aqui é a forma como os assuntos são discutidos. Naturalmente que a emoção não pode faltar quando o assunto é futebol e mola. Aliás, se as emoções faltassem, os assuntos não seriam assuntos. Mas quer isto dizer que eles devem ser discutidos de qualquer maneira? Não sei. Aliás, acho que não.

Em relação ao novo treinador o que chama a atenção, para além da sua preferência por penteados exóticos e coloridos, é, por um lado, a referência ao seu palmarés pobre como treinador e, por outro lado, a má estima em que se tem o nosso futebol. Os dois factores são importantes, sobre isso não há dúvidas. Mas de que maneira são relevantes para a discussão da decisão? Poucos dos comentários que vejo sobre o assunto se debruçam sobre isto, preferindo fazer aquilo que alguns Pérola Indianos fazem com muito gosto, nomeadamente desatar a criticar na base de critérios que só são evidentes para si e para mais ninguém.

Se contratassem José Mourinho, que tem um palmarés mais do que brilhante, estaria tudo bem? Claro que não. E se o nosso futebol está assim tão mal, então que tarefa deve ter um novo treinador? Levar os Mamba ao Mundial, ou manter o navio no mar enquanto se reorganiza toda a navegação? Eu acho que a última hipótese é que constitui o principal desafio. Para que isso seja feito é necessário que a gente saiba algumas coisas. 1. Qual é a missão que lhe foi confiada pela Federação? 2. Como é que ele pretende interpretar essa missão? 3. Como é que as duas coisas se articulam com a necessidade de reorganizar o nosso futebol? É aqui onde me parece mais útil fazer incidir a discussão. Para já posso dizer que o tipo já me conquistou com aquela fenomenal ideia da dor. Sim senhora! Treina-dor, vence-dor, joga-dor. Ele vem lidar com a nossa dor.

Sobre o INSS o desafio é o mesmo. Discutir só anima mesmo quando é sobre o que é substancial. Há três assuntos que me parecem substanciais, na verdade, muito mais importantes do que as lamentações sobre o dinheiro provavelmente perdido. Por muito duro que possa parecer, o “job” de decisores é tomar decisões. Essas decisões vão ser más ou boas de acordo com as sensibilidades de cada um de nós. Eu estou preparado psicologicamente para aceitar que fora de qualquer intenção criminosa (cabe às entidades competentes averiguar isso) quem tomou a decisão de se meter nesse negócio o tenha feito talvez na convicção de que se tratasse de bom negócio para o INSS. Tudo indica que ele se equivocou. Ora, ser chefe e não estar preparado para tomar decisões que possam revelar-se erradas não é bom ponto de partida. Aqui o mais importante, portanto, não é a atitude da Ministra – que me parece típica da actuação Pérola Indiana em momentos de crise – de correr como uma doida atrás do prejuízo.

O mais importante são três coisas. 1. Que mecanismos institucionais existem para impedir dirigentes de tomar decisões sem as devidas precauções? Esta pergunta é importante porque o assunto aqui não é a qualidade da decisão em si, mas sim a forma como ela foi tomada (em violação das normas). 2. Que mecanismos jurídicos existem para que o Ministério de tutela exija a correcção duma irregularidade? Essa de a Ministra andar atrás do Director e exigir que reponha o dinheiro revela falta de consciência em relação ao que torna a acção governativa formal. Só no “Estrela” é que se faz o que a senhora parece estar a fazer (e que algumas pessoas aplaudem). 3. Que consequências serão tiradas disto? Seria, naturalmente, demais esperar que rolassem algumas cabeças, mas o que é que este caso nos diz sobre os nossos mecanismos institucionais? É aqui, nestas três questões, que a discussão deve fazer incidir a sua atenção, não apenas na celebração de mais um exemplo da corrupção e da falta de respeito pelo bem público daqueles que nos governam.

Só que é pedir demais duma comunidade que parece se sentir melhor discutindo o supérfluo. Tenho a certeza que o novo “Míster” diria que ser governador é gerir a dor…

24 comentários
Comments

Dino Nhangac "Por muito duro que possa parecer, o job dos decisores é tomar decisões"

Partindo desta frase, e pegando nos dois temas que destacou:
- A federação tomou uma decisão, que a meu entender não é das melhores. Olhando para o CV no contratado, não quero parecer injusto, mas tudo indica que continuaremos navegando na dor. E se não for bem divulgado o papel do treinador, dentro de tempos estaremos em dor.

- Os projetos que foram lançados no INSS e deram lugar a falhas que se provam humanas, devem ser tomadas em conta as falhas, e apanhados os cupados, responsabilizados.

Mussá Mohamad Resumiu tudo professor.
Caso para dizer:
O prof Elisio Macamo, "curou a dor"
Sem mais comentários, o diagnóstico sobre os dois temas da actualidade recente,está perfeito...

Ericino de Salema Boa noite,
Eu, como contribuinte, confesso a minha dor quanto ao caso mais recente do INSS. E apoio a decisão da ministra, reitero. Há alguma evidência de que ela agiu como se age no "Estrela", informalmente? Ter um dossier à mão, enquanto órgão de tutela, e dar orientações sobre o que se deve fazer para se proteger o bem público, é agir informalmente? Eu, se o que o Magazine Independente escreve é tudo quanto foi feito, acho que se fez pouco, tendo em conta que o activo da tal empresa parece estar já a ser repassado. Qual será o efeito útil da orientação alegadamente informal se os bens da empresa saírem da sua esfera? Não terá efeito útil!!!
O estudo da OIT, de 2014, que alerta para o facto de o INSS estar a caminhar para uma situação de impossibilidade de cumprir com os seus compromissos (por volta de 2030), se a gestão continuar a ser pouco criteriosa, é a fonte primária da minha dor, e não necessariamente a peça do Magazine!!!

Rachi Picardo Muito bem dito professor. Creio que muitas vezes a nossa tendência tem sido criticar só por criticar e não discutir o passo seguinte. Infelizmente, o imediatismo e populismo também é característica dos nossos governantes. A pergunta que me ocorre no caso do INSS é exactamente esta: que mecanismos existem para evitar que tal não aconteça no futuro? É a primeira vez que temos escândalos desta natureza naquela instituição? O que foi feito para melhorar os processos decisórios e de fiscalização?

Egidio Vaz Sete milhões de dólares devem ser devolvidos. Nada de rodeios.

Egidio Vaz Deve ser sua obrigação Rachi Picardo indignar-se por causa disto, caso contrário será associado com cínicos.

Rachi Picardo Egidio Vaz concordo que sim, também sou um dos lesados. Mas para mim, por não ser a primeira vez que ouvimos falar de desmandos, creio que seria oportuno o MITRAB e os gestores do INSS pensarem um pouco nas várias questões que colocamos.

Nuno Luis Amone Concordo com o professor Elisio Macamo principalmente no caso de seleccionador dos manbas.

Afonso Dete Agora é tempo de agir e não de discutir. Discussão agora enquanto o mal já aconteceu vai valer em que? alias, a discussão desses pontos que o professor propõe era bom antes do sucedido...
Se a magazine não noticiasse, aposto que a maioria não ia saber do alegado caso.
Quanto ao selecionador vamos apoia-lo.

Egidio Vaz Tentei entender o texto mas custa-me reflectir e dar razão ao ladrão e caloteiros, gente que vive roubando-nos. Professor Elisio Macamo, com todo respeito! Estranho que até estas horas ninguém tenha ido à cadeia. Aconteceria assim em qualquer país organizado con instituições que funcionam em prol do cidadão. Não se trata de pensar o pais. Trata-se dá falta de respeito e da ladroagem. Infelizmente o Professor não acredita que haja ladrões e corruptos na nossa terra. Para si, aqui só existem dirigentes que enfrentam dificuldades concretas sobre as quais devemos reflectir. Assim também não dá.

Gito Katawala Eu acho que o professor não ilibou os perpetradores da falcatrua, aliás eu também acho que se não há clara evidência de má intenção, então tratasse como uma perda irrecuperável e paciência! Mas se a "mola" sumiu ou se perdeu porque alguém aventurou-se em em brincar de corretor, e aí então suponho que existe matéria para PGR agir. Mas aqui então é onde está o problema : quem da PGR tem tomates para investigar?

Egidio Vaz Gito Katawala todos os envolvidos neste negócio têm um local novo para continuarem a viver:cadeia. Não há meias-medidas. Não sejamos cínicos. Todos os envolvidos no negócio estavam cientes da "bolada". Não se trata apenas do empresário.

Gito Katawala Egidio Vaz eu entendo perfeitamente. O problema é como provar que houve acção criminosa. Se te lembrares para o caso "aeroportos" só depois de uma exaustiva auditoria forense conseguiram encontrar o rasto das contas bancárias e os pagamentos ilícitos. Mas quase que saíam absolvidos. 

Mesmo sabendo que na nossa cultura não se perde esse tipo de "mola" sem alguém roubar, também não temos na nossa cultura a capacidade de provar e punir quem comete crimes de colarinho branco.

Egidio Vaz Gito Katawala houve crime sim. E vai ver. Vai detido alguem nos proximos dias. É por isso que estou vivamente a aplaudir a decisao da ministra. Foi sabia, oportuna e corajosa.

Gabriel DeBarros Acho que Gito Katawala e o Prof Elisio Macamoexageram nas análises. Eu até aceitaria se o Director do INSS não tivesse feito o negócio consigo mesmo, jurídica e moralmente isso não se faz e é criminoso. Esta empresa de aviação fantasma é dele, foi criada por ele e ele sabe que não têm pernas para andar. O melhor que um gestor sério fazia se quisesse investir mesmo na aviação seria na LAM ou na SAA e não criar empresas falsas para drenagem de dinheiro. 
Acho que se deve retirar a autonomia ao chefe do INSS de fazer negócios desta natureza sozinho sem aprovação do ministério da tutela e/ou finanças. 
Acredito também que esse limite de autonomia existe no INSS, porque não acredito que 7 milhões de dólares comprasse aviões comerciais viáveis, só no mundo da fantasia mesmo que era para cometer esta fraude. 
Em termos de gestão e processos de tomada de decisão, a ministra pode inicialmente pedir o caloteiro director a desfazer -se do negócio que ele mesmo fez. Ele transferiu dinheiro do INSS para sua conta pessoal ou da empresa que ele sozinho assina. Agora é fazer o processo inverso. Depois se seguirá o respectivo processo disciplinar e se possível criminal.

Gito Katawala Gabriel DeBarros, eu não analisei nada, apenas fiz um reparo à questão de prova de crime. Aliás até disse, se o tal gestor quis brincar de corretor sem autorização do Governo Moçambicano, cabe a PGR tratar de resolver. Pelo que li de ti mesmo, colocas a questão criminal no fim e com dúvidas ("se possível "), diz-me então, é o que?

Marcelo Marcelino Por tudo que tem acontecido cheguei a conclusao " estamos na parte incerta com destino incerto" o projecto de um país morreu com o saudoso Samora Moisés Machel. Estamos sim na selva onde só tem felinos (carnívoros) e herbívoros. Mas uma questão so: em Moçambique existe sociedade civil? Esta aonde? O que faz? R: humm, tem medo do tiro!!! Ela existe bricando de sociedade civil pra ficar com dolar da famosa "comunidade internacional" que apoia acções de advocacia...se ela de facto visa esse fim. Enfim, mais nao disse.

Azarias Chihitane Massingue Chefe, este é assunto da justiça e não da Sociedade civil. Nem a ministra tem autoridade de prender quem quer que seja. Nem tudo o que os "opinionmakers" postam é da nossa alçada. Caso a gente não entenda melhor é ler apenas os comentários dos entendidos na matéria postada.

Marcelo Marcelino Irmao, k justiça se refere? Ainda acredita na justiça neste país. Ainda nao percebeu k sao todos farinha do mesmo saco? Quando nao existe instituicoes que funcionam num país a única altenativa k resta ao povo é a pressão social. Procure saber um pouco+ sobre a funcao da sociedade civil ou grupos de pressao.

Fernando Ernesto Ernesto Interessantes as duas reflexoes. E assim vai o país da marrabenta.

Marcelo Marcelino Fernando Ernesto Ernesto o país já nao é de marrabenta é do quadradinho. Onde uns cantam e obrigam o resto a gostar e dançar. É a "perola dos indianos". Estamos num "sítio" de bolada.

Fernando Ernesto Ernesto Andava mesmo desactualizado em relaçao ao quadradinho. Força do hábito.

Lenon Arnaldo Faço parte dos que estranharam a decisão tomada pela direção da FMF em escolher Abel Xavier como Selecionador Nacional de Futebol de Moçambique, apesar, de a respeitar e dar o benefício de dúvida. 

Nem por isso, deixaremos de apontar ou fazer as críticas que nos afiguram serem óbvias.

As críticas feitas à decisão, nada tem a ver com o facto de o eleito, ser loiro, modelo e vestir factos coloridos( isso é de facto supérfluo); A questão nem é o facto do escolhido não ser Mourinho/ Van Gal, o que se questiona na essência é: mesmo que a FMF tenha definido a missão do novo timoneiro, traçado o rumo que se pretende dar ao futebol, há dúvidas se de facto o eleito tenha competências para dar sequência do que é pretendido, por razões de vária ordem é que mais adiante podemos escalpelizar em caso de necessidade, pois, só se é possível manter o barco em alto mar, organizar/reestruturar o futebol com dor com gente competente. Não basta ter software sem competência pratica ( o seu passado recente na curta carreira de treinador podemos usar com indicador).

E, a competência que tanto se tem dúvida do actual selecionador, pode ser aferida de várias formas , dentre elas, a experiência pratica anterior, os métodos usados num passado recente e a experiência organizacional que lhe é inerente no seu quotidiano que pode de certo modo pode influenciar de forma directa a sua performance profissional. Essas qualidades se é que o podemos assim chamar, dúvidas, subsistem em o Abel Xavier os ter. 

A questão não é ter Mourinho - não somos tão distraídos. Temos noção da dimensão das necessidades do futebol do nosso país, o tipo de país que somos e às necessidades do mesmo. Existem vários treinadores medianos até nacionais com qualidades necessária para esta fase de travessia de deserto , desde que para tal, seja lhe dado às mesmas condições que o Abel certamente pediu. Acima de tudo, ter uma estrutura que servir de suporte a nível de direção.

Não devemos de forma secular sermos um país de gente compartimentadas/estanque, mesmo, em situações em que o óbvio é tão evidente - nem é preciso fazer muito esforço.

O tempo encarregar-se-a de confirmar ou desmentir a pertinência ou não das críticas, que nos olhos do Prof. parecem lhe exageradas.

Eliha Bukeni O caso INSS e a expressao da continuacao de uma pratica herdada dos mandatos de AEG, que consiste no saque de fundos publicos para a constituicao de Sociedades Anonimas, onde os accionistas privados nao arriscam nenhum capital, entretanto detem o controlo total da empresa. Vejamos o caso da EMATUM, onde os Estado avalizou a divida de 850 milhoes de USD, O ex-Ministro Chang sempre defendeu que se tratava de uma empresa de direito privado, porem 86 por cento do capital e representado por entidades publicas (IGEPE, SISE, EMOPESCA). Como e sabido, nesta empresa de direito privado os accionistas privados nao tiraram nenhum tostao e o estado ja esta a pagar a divida que avalizou, e como e sabido a constituicao da EMATUM e a avalizacao do emprestimo nao foi debatida no Conselho de Ministros, nem na AR e nao teve visto do TA. De igual modo, na CR Aviation onde a Emose drenou fundos para aquisicao de 4 aeronaves para ficar com 15 por cento do capital de uma empresa que apenas existia no papel, isto e, os o Sr Rogerio Manuel e seu Socio nao investiram nenhum tostao. Tal como no caso da Ematum cuja divida passou da AR apos contratacao, a CR Aviation tentou registar-se na Bolsa de Valores, depois de assambarcar os fundos da Emose, num processo em que o TA tambem foi ignorado, nao obstante recomendacao do parecer juridico. Vai levar muito tempo para estancar as mas praticas que AEG deixou nesta perola do indico, alias o Sr Rogerio Manuel e o tal que tentou agraciar AEG com um mercedes benz a margem da lei de probidade!

Magacebe Majacunene No meio desta feijoada quem se está a rir de satisfaçao é o corpo diplomático acreditado no nosso país.Quanto mais encrencas nos metemos mais divididos e frágeis ficamos.Impera o pior inimigo da nossa patria, a IMPUNIDADE e a Falta de Respeito as Regras de Jogo plasmadas na CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA.Temos alguma instituição pública livre deste vírus?

Marcelo Marcelino alem da impunidade que refere o mais grave eh covardia do mocambicano. Uma centena contra milhoes dos mocambicanos? Se nao fosse a covardia a vitoria seria vencida.

Pablo Marcovich Aimar Era que o dinheiro do INSS fosse recuperado. Sinceramente.

Marcelo Marcelino Era uma vez que fosse recuperado!

Manuel Carlos Nhanala Eh triste...nho nho bla bla bla pouco trabalho e muito esforco pra tapar o sol com a peneira.

Valdano Tchaka E lamentavel que a rede ou esquema minuciosamente implantado por criminosos no INSS ainda impere ,basta a responsabilização política e administrativa,deve se avançar urgentemente e sem contemplações com a responsabilidade criminal contra os infractores ,por que não só o Estado sai manchado e gravemente lesado como os cidadãos(contribuintes )vê o seu futuro hipotecado. Essa instituição e amplamente conhecida pelos escândalos financeiro...insto o governo a repensar na abordagem institucional de forma imediata.

Rildo Rafael Caro Professor Elisio Macamo! Excelente reflexão sobre o pulsar da dor na Pérola do Índico!

Penso que há consenso que somos uma fábrica de “dor”. As dores da Pérola do Índico são inúmeras que até possibilitam ordena-las do topo a base! Umas despoleta...

Rildo Rafael Parte I (Futebol): Não concordo com juízo que se faz em relação ao novo seleccionador pelo seu cabelo ou modo de estar (estilo modelo). Agora conhecer o seu palmarés como treinador de futebol pode ser um critério importante. O palmarés servirá de um dos indicadores para a tomada de decisão dos nossos dirigentes! Quais foram os objectivos traçados pela FMF com o treinador em causa. Este pode ser um elemento importante para percebermos se o treinador tem perfil para treinar os mambas e lograr alcançar o resultado! Calma! O objectivo pode ser colocar a selecção a jogar bom futebol! Pode ser construir um novo grupo de jovens com capacidade para fazer parte das futuras selecções nacionais. Outro debate poderia ser se temos condições estruturais, técnicas e humanas para alcançar os objectivos traçados? Os nossos comentários por vezes são focalizados no presente e esquecemos (dúvida) de fazer as mesmas perguntas a um leque de treinadores que já passaram pelos mambas! Muitos outros que fizeram o seu palmarés na própria selecção!

Rildo Rafael Parte II: Muitas das vezes as decisões são premeditadas e cheias de “intenções”! Outras vezes são decisões que vão ser más ou boas de acordo com as sensibilidades de cada um! Aqui temos que olhar para o alcance das decisões! Concordamos todos sobre o papel e competência das entidades para averiguação de que entrada no negócio poderia ser proveitosa ou não (Aqui não há problema). Mas também caberá a mesma entidade perceber se a entrada neste negócio tinha como fim último lesar o Estado? Se ele se equivocou ou não (só mesmo “entidades” para verificar). Ser chefe (decisor) obriga a estar preparado para tomar decisões que possam (probabilidade) estar erradas sempre calculando os riscos e as vantagens! Olhar sobre as forças, oportunidades, fraquezas e ameaças! Mas isso por si só não pode levar que qualquer decisão seja aceite porque somos humanos e podemos errar! Portanto, é importante averiguar se a decisão foi oportuna, viável e recomendável! Um prognóstico de impacto a curto, médio e longo prazo? 
O Professor coloca perguntas interessantes: (1. Que mecanismos institucionais existem para impedir dirigentes de tomar decisões sem as devidas precauções? Esta pergunta é importante porque o assunto aqui não é a qualidade da decisão em si, mas sim a forma como ela foi tomada (em violação das normas); 2. Que mecanismos jurídicos existem para que o Ministério de tutela exija a correcção duma irregularidade?; 3. Que consequências serão tiradas disto? 
Professor as três questões podem se enquadrar na actuação da Ministra. Será que ao tomar tal decisão ela não olhou para os mecanismos institucionais? A decisão da reposição dos valores não mereceu consulta do nosso quadro lega? Se a devolução ocorrer ou não ocorrer não teremos consequências futuras para o reforço no nosso quadro normativo ou chamada de atenção para os nossos decisores?

Será este caso único e particular da Pérola do Índico?

Azarias Chihitane Massingue O presidente da FMF disse que uma das coisas que pesou na escolha são ideias que o sortudo possui em relação ao futuro da selecção nacional. Ora, para mim o erro foi logo a partida devia se ter procurado alguém com CV para implementar ideias previamente concebidas. Este ao que parece nunca implementou com sucesso quaisquer ideias. Cade o CV.

Gabriel DeBarros No geral achei uma reflexão muito pobre do Prof Elisio Macamo. Primeiro na mistura dos assuntos de natureza jurídico e social diferentes, até pela consequência que cada um deles traz para o país não merecem o mesmo destaque nem espaço. 
No primeiro caso, Abel Xavier não tem problema nenhum a se debater. Se há alguma coisa a debater é a sanidade de quem o contratou. E nisso todos concordamos que o novo inquilino da fonte azul não tem nenhum plano para tirar o futebol Moçambicano do marasmo onde está. A pressão deve ser exercida a FMF. Ademais, o acto de contratar ou nao Abel Xavier, esta na prerrogativa de Alberto Simango Júnior e ele pode fazer como melhor entender nessa contratacao. é certo que no caso dos Mambas existem ai cerca de 24 milhoes de Moçambicanos apaixonados em futebol que se acham melhores seleccionadores que Abel Xavier, mas nao existe uma forma de entender porque este debate pode se colocar na mesma analise do segundo caso.
Este segundo caso, é um caso criminal crasso, que não sendo o primeiro e nem o quinto de gestão criminosa no INSS, peca por focar mais na ênfase jornalística do jornal retirado das bancas ontem para chamar a uma reflexão talvez desnecessária agora. Fico estupefacto quando nem a PGR, nem a Gabinete de Combate à Corrupção não tenham feito nada neste caso. No minimo deveriamos discutir passos seguinte, com o alegado perpetrador no minimo suspenso das suas actividades. Como é que um individuo confiado para dirigir o INSS, transfere $7 milhoes para a sua conta ou sua empresa e nem suspenso esta? Isso monstra que Rogério Manuel é intocavel e se até consegue retirar jornais da praça pagando avultadas somas de dinheiro aos ardinas, é sinal de que pensa que é impune e vai continuar assim.

Grácio Dos Inguanes Prefiro comentar o primeiro assunto, porque sinto que o segundo é inflamável com contornos bastantes sinuosos.
Abel Xavier é pré-treinador, dada a falta de experiência no cargo. Porém, me parece que a FMF não tinha outra escolha, dado que os outros treinadores com créditos firmados que eram propalados, recusaram treinar os mambas tendo em conta o seu estágio actual. Não havia muita margem de manobra para a FMF se não recorrer a um técnico não credenciado!!!

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