terça-feira, 11 de junho de 2013

Portugueses em Moçambique, uma praga?



Se os moçambicanos não o dizem com palavras, então referem-se a eles como se o fossem. É comum ouvir-se frases do género: "Esses tugas estão em todo o sitio!", "Vai ao restaurante piri-piri e vais encontrar tugas sentados lá o dia todo a beber café", "Veio ao meu serviço a procura de emprego e sem marcação pediu para falar com a minha boss que é portuguesa". E assim segue. A expressão facial dos moçambicanos é mais reveladora do que as palavras que proferem.

A crise económica que atinge Portugal e a recente descoberta de recursos minerais em Moçambique, alvo de grandes investimentos, está a atrair portugueses para o país. A esperança de uma oportunidade de emprego ou de negócios é o que muitos trazem na mala. Alguns levam de volta na bagagem decepções, afinal Moçambique não é exactamente o que estavam a espera.

A grande preocupação é avaliar as consequências da entrada massiva de portugueses, e saber se o governo está a tomar medidas preventivas para que os moçambicanos não se sintam prejudicados com este imigração. Não tenho nada contra a imigração, pelo contrário, mas sim sou contra lesar os nacionais ao se favorecer estrangeiros.

Moçambicanos em primeiro lugar
E muitos exemplos e situações podem ser listadas, por exemplo, o português obtém o visto de entrada nos aeroportos do Moçambique, enquanto que o moçambicano para entrar em Portugal tem de passar por um processo burocrático tão longo como se quisesse ir a lua. Quando o governo moçambicano vai acabar com esta desigualdade? Quem verifica se os portugueses tem condições financeiras para estarem no país? Se tem acomodação? Se passagem tem dois "vês"? Como se vai sustentar? Quem o convidou? etc

Em termos de absorção de mão de obra, a lógica deveria ser privilegiar os nacionais. Já sei que existe uma lei sobre isso, mas consegue-se fazer valer na prática? Absorver o que não temos, é justo, mas que não se adquira o que a casa já tem.

"Pés de fada" sobre escadas moçambicanas
Antigamente, há sensivelmente 15 anos, não era comum ver se portugueses a conviverem com os moçambicanos. Havia uma espécie de "Apartheid". Hoje isso mudou. É verdade que a mentalidade de muitos portugueses e moçambicanos mudou, é gente jovem e esclarecida. Em Maputo vê-se alguns portugueses em grandes conversas com os nacionais em cafés, ao que tudo indica o tema é negócios. Sabe-se que para que um estrangeiro se dê bem a esse nível tem de se associar a um nacional. Isso leva-me a duvidar que essas situações sejam movidas ou ditadas por algum esclarecimento sobre igualdade, humanidade, ou fraternidade entre povos... Os moçambicanos podem estar "a servir de escadas" para os portugueses, como diz um amigo meu. Só que escadas que não são pisadas descaradamente como antigamente...




37 comentários:

  1. “O RACISMO PORTUGUÊS PIOR DO QUE O APARTHEID …”

    (Do livro: “Vidas, Lugares e Tempos” (2010)– de Joaquim Alberto Chissano”, págs.200,201):

    “…O racismo em Moçambique, nos anos quarenta e cinquenta, era, quanto a mim, pior que o Apartheid na África do Sul. A lei dizia que não havia segregação. Portugal era uno e indivisível, era inter-racial, et. Mas tudo estava bem separado.

    Bairros de caniço para preto, bairros indígenas chamados mesmo assim desta maneira, “Bairro Indígena”, caderneta indígena diferente do Bilhete de Identidade de branco, escola primária para preto, acesso ao ensino secundário dificultado para o preto e ingresso quase impossível ao Liceu até 1951. Acesso a posições bem remuneradas no funcionalismo público, onde era difícil encontrar um contínuo negro. O preto era servente. O branco era contínuo. Um vestia farda branca e outro vestia farda de caqui. Um mandava varrer e o outro varria ou limpava o chão e os vidros. Um mandava carregar e o outro carregava o fardo.

    Quando os portugueses se defendiam, diziam que não havia racismo, o que havia era diferenças de instrução. Eram diferenças económicas. Os pretos é que eram preguiçosos.

    Na África do Sul, Apartheid significava desenvolvimento separado. Mas havia desenvolvimento. Não muito, mas havia. Havia escolas primárias e secundárias para pretos, universidades para pretos, clubes, cinemas e teatros para pretos, universidades para pretos. Havia negros iniciados em comércio. Igrejas com pastores negros. O nível era inferior ao das instituições de brancos, mas havia instituições que funcionavam e criaram os líderes negros como Albert Lithuli, Cotana, J B Max, Goven Mbeki, Nelson Mandela, Oliver Tambo, Walter Sisulo, Duma Nokwe, Bispo Desmond Tuto e outros grandes líderes com alta formação académica.

    Recordo-me de excursões que alunos e professores negros de escola secundárias de negros realizavam para Lourenço Marques onde passavam uma semana ou duas de férias. Vinham todos os alunos com uniformes escolares de meter inveja. Tocavam as suas flautas, as músicas negras da África do Sul do momento os “Sokikianes” e os “Jaivings”. Exibiam a sua cultura e falavam as suas línguas que eles aprendiam a escrever na escola, além do inglês.

    Em Moçambique todos éramos iguais perante a Lei, mas havia tribunais para uns e para outros, o administrador é que o tribunal. Deportação para São Tomé e Príncipe era só para indígena, o trabalho forçado era feito só para o indígena.

    Durante o tempo em que vivi no Xai-Xai, vi muita gente a trabalhar na contribuição braçal ou gente de Xibalu a arranjar estradas, a puxar o “Ndhindhasi”, (a grande roda de betão que compactava as estradas).

    Todos eram negros. Os “contratados”, homens de “xibalu” que eu via nas plantações de semente de cana-de-açúcar, no Xinavane eram todos negros. A distribuição de semente de arroz e de algodão para a sua cultura forçada era feita só aos indígenas. E o indígena tinha de apresentar e vender obrigatoriamente por cada medida de semente distribuída umas tantas múltiplas medidas predeterminadas de arroz ou algodão colhidas. Não importava considerar se houve praga, seca ou chuva a mais. Se não apresentasse arroz suficiente, era punido com palmatória para que confessasse onde teria escondido o resto para a sua alimentação. A alimentação do indígena era secundária. Ele tinha de vender primeiro do Instituto do Arroz e só tinha o direito de comer o excedente comprovado. Mas também não podia recusar-se a cultivar arroz ou algodão. Tinha de receber a semente. Um crédito forçado.”
    _______________
    Meu comentario: Lendo o que Chissano escreveu aqui e comparando com os preconceitos actuais de alguns portugueses que retornam a Moçambique, dá para entender que muitos dentre eles ainda mantêm a matriz colonial bem gravada nos seus subconscientes , e cada vez que vêm um preto por perto, ressuscitam todos aqueles preconceitos próprios de um colonialismo retrógrado.
    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada por trazer este testemunho de Joaquim Chissano sobre o colonialismo português. A discriminação mantém-se até hoje, mas com outras "roupagem". É importante que não nos esqueçamos disso. O diálogo e consciencialização, embora não acabem com o racismo, ajudam a diminuir. O racismo ou é resultado de ignorância, ou então é o reflexo de um sentimento de superioridade que alguns homens tem em relação aos outros. O que não deixa de ser ignorância também...
      Eliminar
  2. Sinceramente, acho que "pior" que a forma como dizem que os portugueses tratam os nacionais e a forma como os apelidados monhes tratam os nacionais, com desprezo falta de humanismo, uma falta de respeito tremenda como eu ja assisti.. a diferenca e que se fosse portugues o nacional apresentava queixa, como e monhe aceitam... isto e que e triste.. direcionam a raiva de outros tempos aos ex colonos, quando a pagina ja foi virada e a actual praga e dos monhes.. eles sim sao um povo hediondo sem escrupulos.. eu ja soubevde monhe que tira casca de batatas do lixo d MANDA, sim pk eles MANDAM, empregado cozinhar pa comer... como em todo o lado do mundo a gente boa e gente ma. Independentemente de credos, racas, estatutos ou cor.. nao devemos julgar um como um todo...
    ResponderEliminar
  3. Tem toda a razão, os chamados monhês, embora muitos deles moçambicanos, tratam mal os seus conterraneos que nãso são de origem indiana ou paquistanesa. Porque? Será que os moçambicanos aprenderam a conviver com esses maus tratos por os considerarem também seus irmãos? Podemos levantar várias hipóteses.
    Em relação aos portugueses, como sabe, é um fenómeno novo e por isso tratadoe falado com muita frequência. Acredito que desta forma também se pode evitar uma repetição do fenómeno "monhé".
    ResponderEliminar
  4. eu acho incrivel a forma como dizem qu somos uma praga, o facto de termos recebido mais de 2 milhoes de negros das ex colonias, o facto de lisboa parecer africa, depois de termos sido expulsos de africa e termos perdido tudo nos tb poderiamos ter facilmente fechado as portas, enquanto voces morriam nas vossas guerras civis, e com razao ainda para mais no tempo em que recebiamos milhoes por dia da cee, e assim teria havido muito mais para os portugueses, e muito menos para segurancas sociais e dinheiro dispendido para albergar africanos que para ser sincero nao precisamos, sao voces que precisam de educacao, casa p viver, emprego etc, aqui. tal como voces dizem que primeiro estao os da terra certo? se voces n aceitam que brancos possam ser mocambicanos entao voces negros nao saiam de africa nunca, porque o tratamento sera o mesmo, e voces nunca serao portugueses, ingleses, italianos etc. e lembrem se de mais uma coisa as casas onde vivem as cidades etc foram feitas e constuidas pela praga dos portugueses.
    ResponderEliminar
    Respostas
    1. BRANCOS NÃO SÃO COMO ACEITES COMO MOÇAMBICANOS?
      - Senhor! Donde foi tirar tal ideia TOTALMENTE FALSA?
      - De que mundo o senhor vem?

      Falando ainda sobre a volta dos portugueses a Moçambique talvez seja primeiro pertinente perguntar: Por que saíram de Moçambique? Mas, parece que a melhor resposta, mais do que ninguém, só pode ser dada por eles próprios. Mas o que importa aqui realçar, é que não foi racismo dos pretos moçambicanos contra os brancos portugueses que os obrigou a saírem daqui. Porque se assim fosse, como se explica a seguinte situação relatada por Mariano Matsinha (alto quadro da Frelimo e do Governo moçambicano), no seu livro recentemente publicado?
      _________________________
      (Do livro: “Um Homem, mil exemplos: A Vida e a Luta de Mariano A. Matsinha” – p.17 par. 3,4,):

      A (entrevistador).: A dada altura no executivo moçambicano só existiam dois negros: Joaquim Chissano e Graça Machel. Que comentário?
      MM (Mariano Matsinha).: É verdade! Isso ninguém pode negar! Uma vez critiquei isso em foro próprio, mas aparentemente não fui compreendido. O que eu defendi foi que existisse um certo equilíbrio em termos de representatividade. É certo que os camaradas de raça branca e mestiços tinham tido a possibilidade de se formarem. Todavia, isso não devia impedir que se desse oportunidade aos camaradas de raça negra. Disse aparentemente porque, apesar de ter sido vaiado num encontro a que me referi acima pelos camaradas, os mesmos camaradas, finda a reunião, comentavam que eu tinha razão. Enfim…” (Fim da citação)
      __________________________
      Na sua última edição o Jornal Sul-Africano “Rand Daily Mail” publicou uma entrevista de Samora Machel para aquele jornal. Algures nessa entrevista Samora elogiava os brancos boers sul-africanos por terem sempre optado pela africanidade. Eles, os boers, se assumem como africanos, daí chamarem a si mesmos de afrikaaners e a sua língua de afrikaans. Mas no que diz respeito aos portugueses são muito poucos os que assumiram a sua africanidade (dentre eles, muitos nasceram, cresceram e viveram aqui até à independência, portanto são naturalmente moçambicanos brancos africanos.). Ser africano não significa necessariamente ser preto (há brancos africanos e pretos africanos).

      O governo anti-racista de Samora não podia, de maneira nenhuma, expulsá-los numa base racial, afinal de contas, como Mariano Matsinha diz na citação acima mencionada, numa dada altura muitos brancos estavam no governo como: Ministros, directores nacionais, altos dirigentes nas diversas instituições do novo estado moçambicano (não confundir com o governo de transição antes da independência).

      Independentemente de que razões pessoais os portugueses evoquem como motivo para a sua saída massiva, o que fica claro é que na sua maioria foi por pura precipitação. Uma parte deles, pura e simplesmente, não estava preparada psicologicamente para conviver com um governo dirigido por negros, embora esse mesmo governo tivesse muitos altos dirigentes brancos moçambicanos (e outros portugueses brancos que continuaram a trabalhar em Moçambique como “cooperantes” no âmbito de cooperação com o governo português). O colonialismo fascista português não lhes tinha preparado para essa realidade, e assim se “mandaram” – não aceitaram ser africanos (embora muitos na realidade o fossem. Daí a superioridade dos boers em relação aos portugueses neste ponto).
      Eliminar
    2. Ao outro anónimo que comentou tenho a dizer o seguinte; o caso não deve ser visto e interpretado com raiva ou outro sentimento parecido. Temos de analisar apenas os factos, considerando o passado, presente e futuro para entender determinados comportamentos. O equilibrio deve ser chamado sempre para este delicado caso. Outro ponto; o caso não está a ser avaliado em função da cor da pele, mas em função da nacionalidade apenas em defesa dos moçambicanos, tal como os portugueses, ingleses, angolanos, etc, o fazem. Acho que a relação entre povos deve ser nivelada, não pode haver superiores. E convenhamos, até agora há quem se julgue superior. O que acha?
      Eliminar
  5. mas ainda bem que voces estao a tomar essa atitude, porque assim nos poderemos fazer o mesmo a barravos a entrad na europa... na educacao superior no pais, etc voces tem memoria curta, mas nos nao. por mim deveriamos ter fechado a entrada a todos os africanos ate haver igual demonstracao de abertura, nao e nos depois de termos sido expulsos de africa termos aberto nossas portas a minha pergunta e? porque e que temos de ter aqui 2 milhoes de africanos? quando e obvio que um ;ais como mocambique muito maior ficam incomodados com meia duzia de portugueses mas amigos facam favor de ser abertos em relacao a isso assim dao nos mais armas para vos por andar daqui para fora, isto aqui ja esta mau e vai ficar pior quanto pior ficar mais voces parecem que estao a mais em portugal
    ResponderEliminar
  6. Não compreendo como e que a Nadia concorda com essa estoria de que os indianos ( monhes como voces dizem) sao os maus. Ela esquece que é descendente deles mas agora que é mulata já nao gosta deles.
    ResponderEliminar
  7. Caro(a),
    O facto de descender também de indianos não significa que não os possa criticar se estiverem errados. Outra coisa; gente má existe em todos os lugares e se assim quisermos definir, em todas as raças, grupos étnicos, etc. Também é verdade que não podemos generalizar. Mas no caso dos indianos em Moçambique é muito comum assistirmos a cenas degradantes quando se trata de respeito aos negros. Acho que tapar o sol com a peneira não é o ideal...
    ResponderEliminar
  8. Cara Nadia,
    ja vi que temos opiniões completamente diferentes em relacão aos indianos em moçambique. De salientar que ja saí de moçambique a mais de 14 anos por isso não sei qual é a situação actual, mas tb sempre fomos chamados nomes feios em moçambique.
    ResponderEliminar
  9. Compreendo o seu sentimento. Também devo reconhecer que muitas vezes o termo "monhé" é usado de forma pejorativa, o que não é correcto. Mas sinceramente gostaria de ouvir mais sobre o que pensa sobre os indianos em Moçambique.
    ResponderEliminar
  10. Ao outro anónimo que comentou tenho a dizer o seguinte; o caso não deve ser visto e interpretado com raiva ou outro sentimento parecido. Temos de analisar apenas os factos, considerando o passado, presente e futuro para entender determinados comportamentos. O equilibrio deve ser chamado sempre para este delicado caso. Outro ponto; o caso não está a ser avaliado em função da cor da pele, mas em função da nacionalidade apenas em defesa dos moçambicanos, tal como os portugueses, ingleses, angolanos, etc, o fazem. Acho que a relação entre povos deve ser nivelada, não pode haver superiores. E convenhamos, até agora há quem se julgue superior. O que acha?
    ResponderEliminar
  11. Deixando o debate sobre os indianos em moçambique para trás, gostaria de convidar a senhora para fazer uma reportagem sobre os moçambicanos ( de origem Indiana) que estão a viver na Europa. Não somos muitos, mas na cidade onde vivo há dezenas para não falar de portugueses, Angolanos e até guinenses. No meu caso, nasci em moçambique, fiz a décima classe na josina, a décima segunda na manyanga e estou a trabalhar aqui na Europa.
    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pode ser uma tema interessante. Em que cidade o senhor vive? Tem alguma tema especifico?
      Eliminar
  12. “Na Itália PORTUGUÊS É SINÓNIMO DE LADRÃO”?

    Ouvi isto hoje, dia 28 de Janeiro de 2013, de Portugal e da boca de um português da “SOS RACISMO” através da RTP-África – numa conversa sobre o “racismo” em Portugal. Se tivesse ouvido isso a partir de um meio de comunicação moçambicano ou brasileiro talvez não me tivesse impressionado bastante – mas ouvir isso da boca de um português dizer: que os portugueses na Itália são vítimas de racismo ao ponto de a palavra “PORTUGUÊS SER SINÓNIMO DE LADRÃO”, me deixou muito estupefacto – quase não acreditava que no que ouvia, isto é, a existência de tais manifestações de racismo crasso entre os próprios europeus brancos e ainda, por cima, todos latinos.

    Não foi agradável ouvir isso assim como não é agradável, para mim, ouvir ALGUNS portugueses rotularem os moçambicanos de “preguiçosos, LADRÕES, ignorantes, etc., etc. etc.,. Ao ouvir isso até me pareceu que ALGUNS desses portugueses por sofrerem tais manifestações de racismo nesses países europeus, quando chegam em África encontram um campo propício para “descarregarem” as suas frustrações de vítimas de racismo.

    Abaixo TODO O TIPO DE RACISMO!
    (Não importa de quem procede ou para quem é direccionado!)
    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ricardo Martins Soares5 de Maio de 2013 às 18:19
      Isso é falso. Na Italia, portoghese ou seja portugues é a pessoa que entra em determinado local sem pagar, tipo estadio de futebol. Isso deve-se a uma historia antiga do tempo das descobertas e conquistas quando os portugueses ofereceram a um papa, varias oferendas tipo especiarias. Reconhecido, numa bula o papa detrminou que em Roma o portugues podia entrar em determinados locais sem pagar. E foi assim que o termo ficou ate' hoje mas ninguem considera ladrao o portugues, na Italia.
      Eliminar
    2. Obrigado pelo esclarecimento meu prezado Sr. R.M. Soares.

      Miguel
      Eliminar
    3. E esse termo ficou em Italia porque os italianos queriam entrar sem pagar e diziam que eram portugueses , por isso quem era ladrão ou vigarista para entrar sem pagar eram os italianos e ainda se chama isso as italianos que entram nos lugares sem pagar sem serem convidados
      Eliminar
  13. Acho que não se pode generalizar. Em todo o lugar a gente boa e má. Mas muitas vezes um conjunto é rotulado em função de um pequeno grupo. Temos de convir que grande parte dos emigrantes são batalhadores, afinal só emigrar já tem um grande significado, não é?
    ResponderEliminar
  14. ‘A FALTA …DE EDUCAÇÃO … DE CERTOS MOÇAMBICANOS’ – que irrita certos portugueses.......
    ---------------
    Citação¨

    “No banquete de Estado na Ponta Vermelha, os militares de ambos os lados confraternizaram e como acontece com que viveu a guerra, trocavam impressões sobre ela. Na minha mesa, próxima da Mesa de Honra estava comigo o general Sousa Meneses, militar brioso que nos combatera, respeitando no possível, o “Código de Honra”. Como chefe das operações e ainda coronel, servira sob Kaúla a quem abominava.

    Samora e Eanes conversavam acerca de operação de resgate do Mataca detido pelos portugueses na base Tenente Valadim, Mavago. Na época comandava a base Ramalho Eanes, ainda tenente, creio. Samora disfarçado de muçulmano, entrou na base como indo para as orações na mesquita. A prisão onde se encontrava o Mataca fazia paredes-meias com a mesquita. Cavou-se um buraco na parede, vestiu-se o Mataca e saiu-se da base. Durante a conversa Samora perguntou-me algo, já não me recordo o quê, relacionado com a operação e respondi.

    Nesse momento um alto dirigente civil (deliberadamente omito o nome), IGNORANDO O AMBIENTE, A DELICADEZA E O OBJECTIVO DA VISITA, diz em VOZ BEM ALTA que se ouviu em toda a Sala das Índias, onde decorria o BANQUETE: “”CONVERSA DE CARNEIROS””.

    A SALA ficou GELADA. OS DOIS PRESIDENTES LEVANTARAM-SE E SAÍRAM.

    Um coronel português diz-me: “”DEVIAM ENFIAR UMA BAIONETA PELO… DESSE GAJO! “”

    Dias depois Eanes retribui o BANQUETE, desta feita no Polana.

    O mesmo personagem, quando discursava o Presidente Eanes, começou a FAZER COMENTÁRIOS DESAGRADÁVEIS, à oração do seu Chefe de Estado. Samora não pôde conter-se e disse-lhe: “”CALE-SE!” Calou-se.

    Terminado o BANQUETE e estando alguns de nós numa saleta atinente para tomar o café, ele dirigiu-se ao Presidente Samora e perguntou-lhe: “”O QUE FARIA SE NÃO ME CALASSE?””

    Samora respondeu: “”MANDAVA-O PRENDER PARA LOGO O EXPULSAR do meu país. AQUI RESPEITAMOS UM HÓSPEDE, SOBRETUDO QUANDO CHEFE DE ESTADO EM VISITA A MOÇAMBIQUE. SE QUER DESRESPEITAR O SEU PRESIDENTE, FAÇA-O NA SUA TERRA.”” …
    Por aqui ficou o incidente. … Já várias vezes me encontrei com essa personalidade e com quem mantenho relações amistosas, visitamo-nos em casa.” – Fim da citação
    -------------
    (do livro: “Participei, Por Isso Testemunho”- de Sérgio Vieira” – págs. 540, 541)
    _____________________________________________________
    Comentário:

    - Não foi uma CRASSA FALTA DE EDUCAÇÃO deste alto dirigente português num AMBIENTE daqueles?


    - Não foi EMBARAÇOSO E VERGONHOSO para o Chefe de Estado Português ter na sua delegação oficial um MAL-EDUCADO DE TAMANHA ENVERGADURA?

    - É esta a “CIVILIZAÇÃO” que vieram ensinar aos “pretos atrasados” de África?

    - Se em pleno Séc. XX um alto dirigente político se comportou desta maneira DESEDUCADA E VERGONHOSA, atropelando as normas mais rudimentares de CIVILIZAÇÃO - num AMBIENTE TÃO SOLENE E FORMAL, como se comportavam os seus antepassados “CIVILIZADORES” da África em séculos que já lá vão, em ambientes nada solenes e nem formais? Daí podemos concluir que espécie de “CIVILIZADOS” eles produziram nesses “longos” séculos de dominação colonial. Então, por que se irritam hoje ao voltarem e encontrarem os seus “alunos” aplicando bem as lições de “CIVILIZAÇÃO” que aprenderam deles? (A mesma estrangeira acrescentou: “…depois de séculos de dominação, a subjugá-los, humilhá-los e dar a eles maus exemplos.”)

    Portanto, os portugueses que vêm a Moçambique e se irritam com a FALTA DE EDUCAÇÃO DOS MOÇAMBICANOS parece que têm um outro problema - talvez sofram daquilo que um português (O CEO da Newshold, Mário RamireS), lá mesmo em Portugal disse: “…PORTUGAL SOFRE DE UM “COMPLEXO EX-COLONIALISTA” - (http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=65465)

    Felizmente, sabemos que há muitos portugueses honrados e muito bem educados, mas INFELIZMENTE também sabemos, que há MUITOS portugueses MUITO MAL-EDUCADOS que não honram o bom nome do DIGNÍSSIMO POVO PORTUGUÊS.


    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada por partilhar uma parte do livro de Sério Vieira. Fiquei com mais vontade ainda de ler o livro.
      Nao sei o que é pior, se é ter complexo ex-colonialista ou continuar a vestir a capa de paternalimo...
      Eliminar
    2. Sorry: corrijo: "CONVERSA DE CASERNEIROS" e nao "conversa de CARNEIROS" - me desculpem erro na digitacao".
      Eliminar

  15. POBREZA – UMA DAS CAUSAS DE PRECONCEITOS RACIAIS…

    Óscar Monteiro falando de preconceitos raciais de CERTOS PORTUGUESES no tempo colonial, na então Lourenço Marques, diz:

    “Os brancos mais difíceis eram os da Malhangalene: pedreiros, polícias e carpinteiros, cujos filhos nos atiravam pedras e nos chamavam nomes. Este fenómeno do RACISMO EXACERBADO DOS BRANCOS POBRES está hoje mais que identificado. Eu vim a conhecê-lo , pela história da Argélia, o RACISMO VIRULENTO dos “petits blancs”, dos BRANCOS POBRES.”
    (do livro: “De todos se faz um País”, 1ª. Edição Nov/2012 – pág. 21, paragrafo 2 – de Óscar Monteiro)
    _____________
    MEU COMENTÁRIO:

    Será que Óscar Monteiro era vítima de preconceitos raciais de COLONOS PORTUGUESES porque era intelectualmente “inferior” aos brancos? De maneira nenhuma! Diz ele:

    “A regra era entrar na escola com 7 anos ou no ano em que se fazia sete anos, o que era o meu caso. Entrei, pois, com seis anos. Mas, logo nos primeiros dias, a professora se apercebeu de eu estava adiantado e propôs um mecanismo especial de exame de passagem, antes do Natal. Assim, aos seis anos, encontro-me na segunda classe, maldição que me acompanha toda a vida: aos 9 anos no liceu, aos 16 anos na Universidade, aos 20 anos no quinto ano de Direito…”

    Sendo assim tão INTELIGENTE, por que era racialmente discriminado? A causa era a sua cor da pele:

    “Além do mais eu era atípico – um indiano ESCURO com cabelo liso – “”Eu já vi muitos pretos””, disse-me uma menina no Porto, “”mas nunca vi um preto com cabelos lisos””, o que passou a ser uma forma de chamamento e brincadeira entre nós: o preto de cabelos lisos.”

    Então fica bem claro que uma das causas de preconceitos raciais que ALGUNS DESSES PORTUGUESES – que fogem da CRISE (ou POBREZA) lá na Europa e vêm para Moçambique – é a POBREZA que lhes intimida e para se protegerem do medo que eles têm da POBREZA refugiam-se nos PRECONCEITOS RACIAIS.


    ResponderEliminar
  16. On 22/03/2013 at 13:37 Miguel said:

    "Moçambicano vai chefiar Fundo da ONU para Agricultura e Alimentação em Portugal"
    Qui, 21 de Março de 2013 00:12 - (RM-Mocambique)

    "O moçambicano Hélder Muteia foi indicado para chefiar o escritório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em Portugal, após ter ocupado o cargo de representante da agremiação nos últimos dois anos e meio no Brasil.

    Com um currículo que reúne passagens por cargos como o de ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, de vice-ministro das Pescas e de chefe do Departamento Técnico de Avicultura e deputado do Parlamento, em Maputo, Muteia reconhece que terá um novo desafio a partir de agora, com atribuições diferentes das que assumiu no Brasil e na representação da Nigéria, anos antes.
    Ele prometeu desenvolver um trabalho conjunto com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), revelando que os países que integram a comunidade vão criar uma plataforma de cooperação para actuarem, conjuntamente, no combate à fome nessas regiões, segundo a Agência do Brasil. (RM-Moçambique)

    http://www.rm.co.mz/index.php?option=com_content&view=article&id=8184:mocambicano-vai-chefiar-fundo-da-onu-para-agricultura-e-alimentacao-em-portugal&catid=3:breves&Itemid=370
    ————————————
    Uns comentaristas, pelos vistos uns racistas “velados” de Portugal da categoria dos que dizem: “OS BRANCOS É QUE PENSAM e os PRETOS É QUE SÃO OS BRAÇAIS”- comentaram o seguinte:

    João Calado Antunes • Quem mais comentou • Quarteira, Faro, Portugal
    esta noticia não esta certa alguma coisa esta a falhar.

    Arlindocaminho Caminho • Lisboa
    O que é que está a falhar?
    ____________________

    Meu comentário:

    Só espero que OS PORTUGUESES preparem UMA ENXADA, UMA CHARRUA, TALVEZ UMA JUNTA DE BOIS, UMA PÁ, UMA PICARETA, etc. para o “BRAÇAL” PRETO AFRICANO MOÇAMBICANO Hélder Muteia que “vai CHEFIAR o escritório da Organização da Nações para Agricultura e Alimentação (FAO) em Portugal”; pois vai mesmo precisar dessa ferramenta toda, senão como irá fazer o seu trabalho “BRAÇAL” como PRETO que é destinado a ser “BRAÇAL”?

    Uma coisa é certa, como disse um rei sábio da antiguidade: “HÁ UM TEMPO DETERMINADO PARA TUDO DEBAIXO DO SOL…”.

    - Houve tempo dos “imperialismos” continentais – passou
    - Houve tempo das “monarquias absolutas”- passou (aqui e acolá ainda há pequenos resquícios)
    - Houve tempo das “ditaduras” políticas e militares (fascistas, socialistas, comunistas, etc. – passou (um e outro talvez ainda persista, mas muito enfraquecidos)
    - Houve tempo da ESCRAVATURA directa, extremamente DESUMANA e DEGRADANTE – passou (talvez ainda persistam outros tipos de ESCRATURA “VELADA”.
    - Houve o tempo dos RACISMOS LEGAIS – “Discriminação legal nas Américas, no APARTHEID, nas colónias africanas, etc. (O último bastião do RACISMO DIRECTO E LEGAL – o APARTHEID caiu na África do sul).
    - Os tempos dos “COLONIALISMOS” Europeus pelo mundo fora também terminou.

    AINDA FALTA, AINDA FALTA, AINDA FALTA O FIM DOS RACISMOS “VELADOS”. O FIM DOS RACISMOS TIPO: “BRANCO PENSANTE E O PRETO BRAÇAL” TAMBÉM ESTÁ A SER COMBATIDO EM TODO O MUNDO.
    – E AGORA ESTÁ ENFRAQUECIDO, POR ISSO QUE É UM “RACISMO VELADO”, UM “RACISMO ENVERGONHADO” – TEM VERGONHA DE SE EXPOR DIRECTAMENTE e se manifesta nos “compartimentos” fechados dos grupos sociais racistas.

    - AINDA HÁ UNS RACISTAS “KU KLUX KLAN ENCAPUZADOS” mas com a sua acção muito limitada. É por isso que UM “PRETO BRAÇAL” de um pais ex- colónia Portuguesa vai CHEFIAR um escritório muito importante lá mesmo dentro do país do antigo colonizador – PORTUGAL. E os racistas estão em alvoroço e dizem: “ALGO ESTÁ A FALHAR”. Eu concordo com eles “ALGO ESTÁ A FALHAR NAS CABEÇAS DELES” e não querem reconhecer isso para poderem ir ao médico para serem tratados, eles sofrem duma doença “MENTAL” de difícil cura porque eles não querem admitir que estão “MENTALMENTE DOENTES”.

    Sem dúvida tinha razão, esse sábio da antiguidade: “HÁ UM TEMPO DETERMINADO PARA TUDO DEBAIXO DO SOL…” (Rei Salomão – Eclesiastes 3: 1-9)
    ResponderEliminar
  17. eu vou avisando quem me discrinar ou tentar hade se ver comigo. olhem de tantas vezes que fui a Europa, juro simceramente so me senti bem e bem tratado na suiça e inglaterra, agora portugal, polonia e Croacia o lema foi diferente. olha o mais incrivel é os mesmos quando chegam ao paises africanos sao bem tratados e tratados como filhinhos de papa. eu nao quero ser descriminado por niguem e nem tentem fazer isso, porque nunca vou permitir.
    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É compreensivel a sua revolta e precaucao. Como ser humeno tem de se fazer respeitar. Mas nem todos os portugueses sao ignorantes e desprovidos de cerebro e sensibilidade. Gente pobre de espirito existe em todo o mundo.
      Eliminar
  18. ha um outro fenomeno os portugues dizem que os moçambicanos sao preguiçosos, mas se forem atraz da verdade hão de ter a informação contraditoria e hao descobrir que é mundialmente conhecido com preguiçoso
    ResponderEliminar
  19. A questao branco-preto é sempre meio chata de se tratar mas na maior parte das vezes falta esclarecimento. Os portugueses do tempo colonial iam para a Africa pois seja Moçambique que Angola faziam parte da Republica Portuguesa. A sua contribuiçao ao progresso de Moçambique foi grande, tanto mais que eram em pequeno numero apenas 250.000 numa populaçao de dez milhoes. Acontece que os politicos da Frelimo tem todo o interesse em apontar apenas os defeitos dos antigos colonos e do regime colonial ate' para justificar e encobrir os proprios defeitos, que nao sao poucos. No entanto nao sao burros para impedir a entrada dos atuais portugueses pois contam com a sua qualificaçao. Estes melhor fariam se optassem por outros paises como o Brasil onde ha' mais afinidades culturais com Portugal. No entanto como ha' essa tal de globalizaçao que ignora as fronteiras, os portugueses para ganhar dinheiro tem que ir aonde ha' e alem de haver boas possibilidades de emprego e renda em Moçambique e em Angola, ha' a vantagem de se falar em portugues. Para os negros que estao no poder isso nao é problema nenhum. O problema e' que se a populaçao local vive na pobreza, muitos estao desempregados, o relacionamento entre brancos e negros torna-se dificil e complicado. Por isso cabe aos portugueses que estao agora em Moçambique avaliar bem se lhes compensa ou nao trabalhar em Moçambique pois existem vantagens e desvantagens. Por sua vez aos africanos descontentes com a presença desses portugueses devem cobrar da Frelimo medidas que impeçam a chegada de outros e que estimulem a volta a Portugal dos que ai' estao.
    ResponderEliminar
    Respostas
    1. 1. O que é uma africano?
      2. Que DESENVOLVIMENTO tinham os Pretos durante a Colonização Portuguesa

      Para responder ao nosso querido interlocutor vou citar um episódio que se deu durante a visita de Samora Machel a Portugal, em 1985:

      Samora, juntamente com outras altas entidades portuguesas, estava numa das Avenidas principais de Lisboa cumprimentando e sendo também efusivamente cumprimentado pelos Portugueses “Genuínos” (portugueses europeus), quando um grupo de AFRICANOS BRANCOS, de etnia portuguesa, se aglomeraram e começaram a vaiar a Samora. Samora Machel, no seu estilo característico de frontalidade, aproximou-se do grupo e lhes disse: “VOCÊS SE TIVEREM ALGUM PROBLEMA, VOLTEM PARA ÁFRICA E VAMOS FALAR LÁ EM ÁFRICA! VOLTEM PARA ÁFRICA E FALAREMOS EM ÁFRICA!

      Os portugueses “genuínos” (europeus) gostaram das palavras de Samora e bateram palmas em apoio, dizendo: “SIM! É ISSO MESMO SAMORA, LEVE-OS DE VOLTA PARA A ÁFRICA. ISSO SAMORA! LEVE-OS DE VOLTA PARA ÁFRICA!

      Africano pode ser branco, preto, indiano, chinês, mulato, etc. O que é certo é que muitos AFRICANOS BRANCOS de etnia portuguesa têm imensas dificuldades psicológicas (devido a complexos que centenas de anos inculcou nas suas psiques) – complexos que lhes impedem de assumir e aceitar a sua AFRICANIDADE. Neste sentido OS BOERES SUL-AFRICANOS SÃO SUPERIORES, pois eles não tiveram VERGONHA de assumir a sua AFRICANIDADE, daí que se chamam de AFRICANDERS ou AFRIKANERS e sua de AFRIKAANS. Agora, os nossos irmãos AFRICANOS “ALBINOS” de etnia portuguesa – esses, lamentavelmente, são muito poucos os que assumem a sua AFRICANIDADE – daí a sua ambiguidade de identidade – em Portugal não se sentem confortáveis, em África não se sentem confortáveis, etc. – é uma situação deveras penosa! Tudo isso porque não querem assumir a sua identidade AFRICANA.

      O nosso prezado interlocutor diz que os portugueses desenvolverem Moçambique – ISSO É UMA VERDADE INQUESTIONÁVEL. Mas que Moçambique? O Moçambique dos Brancos ou o Moçambique dos Pretos? Estas perguntas são pertinentes porque enquanto que dum lado os BRANCOS tinham um nível de vida altíssimo nas cidades urbanizadas, os OS PRETOS (100%) viviam nos Bairros Fedorentos e Desorganizados do Caniço, defecando em baldes, que à noite eram manuseados pelo pessoal preto da Câmara Municipal. Sei que poucos brancos tinham consciência dessa dura realidade da vida dos pretos, excepto, alguns cantineiros brancos que tinham as suas cantinas nos subúrbios de caniço das cidades. A pergunta é: são aqueles bairros suburbanos FEDORENTOS e SUJOS do caniço o TAL MOÇAMBIQUE DESENVOLVIDO construído pelos portugueses? Os pretos defecando em baldes – é esse o tal DESENVOLVIMENTO? O Chibalo é esse o tal DESENVOLVIMENTO? O “NTCHANGALE” e o “KOI” (refeição dos trabalhadores de Chibalo nas plantações) - é esse o tal DESENVOLVIMENTO? 90% da População Negra Analfabeta na altura da independência – é esse o DESENVOLVIMENTO depois de séculos de colonização portuguesa?

      O nosso interlocutor fala do Brasil… Dizimaram os índios… Dizimaram os índios e agora reivindicam o Brasil, terra nativa dos índios… Afinidades de portugueses com os indios!?... No Brasil... onde agora algumas tribos índias são obrigadas a viver em RESERVAS…viverem em RESERVAS…viverem em RESERVAS na sua própria terra. Em África RESERVAS são para animais e não para pessoas…

      Eliminar
    2. corrijo: "devido a complexos que centenas de anos de colonização INCULCARAM nas suas psiques)
      Eliminar
  20. Cecile Kyenge é a primeira mulher negra a integrar governo italiano
    Dom, 28 de Abril de 2013 00:05

    http://www.rm.co.mz/index.php?option=com_content&view=article&id=8998:cecile-kyenge-e-a-primeira-mulher-negra-a-integrar-governo-italiano&catid=81:internacional&Itemid=198
    __________________

    O DESCONHECIMENTO OU A IGNORÂNCIA QUE ALGUNS PORTUGUESES TÊM DA REALIDADE MOÇAMBICANA OU AFRICANA - É DEVERAS ESTARRECEDOR, PERIGOSO E VENENOSO (pode envenenar desnecessariamente relações desses portugueses com os povos desses países)

    Vejamos alguns exemplos que demonstram esse DESCONHECIMENTO “PERIGOSO” por parte de certos portugueses – (comentários à volta da nomeação de uma negra de origem africana no governo italiano):

    Orlando Nogueira • Quem mais comentou

    Será que poderiamos ver o mesmo em Africa???? Enquando houver o complexo de inferioridade não haverá confiança...e complexo de inferioridade é o que ha em terras africanas. Deixem o complexo de inferioridade, o tempo da colonização ja foi. Não se esqueçam que escravatura também houve na europa...na america do sul...na Ásia...
    Responder • 1 • Curtir • Seguir publicação • Domingo às 12:05

    Orlando Nogueira • Quem mais comentou

    Eu espero que os Moçambicanos tambem sigam o exemplo de Itália. Para sua informação os italianos são os mais racistas da europa.
    Responder • 1 • Curtir • Domingo às 11:58

    Orlando Nogueira • Quem mais comentou

    Venha a Portugal ver as oportunidades que todos tem, sem cor ou religião.....e deixe de ter complexo de inferioridade e dê um passo em frente. Se não deixar de ter complexo de inferioridade nunca mais será feliz amigo.
    ___________
    Meu comentário:

    No caso de Moçambique: HÉLDER MARTINS, JACINTO VELOSO, ARANDA DA SILVA, JOÃO FERREIRA, JOSÉ CABAÇO, etc. – TODOS esses e outros são BRANCOS de etnia portuguesa, que foram ministros e vice-ministros, etc. no governo moçambicano pós independência.
    PRAKASH RATILAL, MAGID OSMAN, etc. – Esses de etnia indiana que foram também foram ministros. Mesmo hoje ainda há brancos e indianos ministros e em outros altos de governação.

    Uma pergunta é pertinente: Não será esse DESCONHECIMENTO ou IGNORÂNCIA da parte de muitos portugueses da realidade moçambicana e africana uma das causas que geram MAL-ENTENDIDOS e consequentemente atiça “XENOFOBIAS reais ou imaginárias” entre esses portugueses e africanos?
    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ricardo Martins Soares5 de Maio de 2013 às 18:33
      Estou na Italia e essa negra de quem voces estao ai' a falar (Cecile Kienge) nada mais é que uma pobre coitada, que virou massa de manobra da esquerda italiana, que quer porque quer legalizar os imigrantes clandestinos, boa parte deles africanos. Trata-se de uma pessoa desconhecida, que nunca foi candidata a nada, nem se submeteu a eleiçao alguma, apenas estava filiada ao Partido Democratico composto por ex-comunistas e catolicos de esquerda. A promoçao do negro nao pode ser feita assim na base do casuismo e da sacanangem.
      Eliminar
    2. “Deputada do Partido Democrata (esquerda) e primeira mulher de origem africana a ocupar uma cadeira no Parlamento, Kyenge …”

      http://www.rm.co.mz/index.php?option=com_content&view=article&id=8998:cecile-kyenge-e-a-primeira-mulher-negra-a-integrar-governo-italiano&catid=81:internacional&Itemid=198
      _________

      Meu prezado Sr. R.M.Soares, por favor, pode me ajudar em me explicar: Como é que alguém na Itália chega a ser deputado no Parlamento sem ser eleito?

      Miguel
      Eliminar
  21. Este comentário foi removido pelo autor.
    ResponderEliminar
  22. Na minha opiniao existem muito europeus que mudaram apenas o discurso, porque a prática continua a mesma. E o pior é que muitos deles no seu desconhecimento ou ignorancia acham que sao melhores que os seus antepassados. Até parece algo genetico...
    Mas conheco também alguns europeus despidos desse espirito colonialista e paternalista.
    Também é compreensivel que uma ferida feita durante séculos (colonialismo) nao se cure em cerca de 50 anos. Pessoalmente considero os africanos, no geral, pessoas muito abertas e com com espirito conciliador. Alias, a sabedoria africana os tem ajudado bastante, por isso a sua receptividade, e porque nao mesmo dizer o seu perdao?

    ResponderEliminar
    ResponderEliminar

Sem comentários: