quinta-feira, 2 de maio de 2013

The Business of Peace







Amosse Macamo15 minutes ago near Polana Caniço "A", Maputo ·


O historiador Alex Vines escreve num artigo intitulado “The Business of Peace” que o caminho da paz em Moçambique construiu-se com incentivos financeiros à RENAMO.
Escreve que Tiny Rowland chefe-executivo da Lonhro, uma multi-nacional britânica, pagou avultadas somas à Renamo para que esta não atacasse os seus interesses agro-industriais que incluíam um piplene construído em 1964 ligando o porto da Beira à então Rodésia do Sul, hoje Zimbabwe.
Acrescenta que em junho de 1982 uma subsidiária da Lonrho assinou com a Renamo um acordo de proteção que estipulava o pagamento de 500 mil dólares mensais, por um período indeterminado, até que uma das partes desse um pré-aviso de rescisão 30 dias. Os pagamentos eram feitos para contas em bancos estrangeiros controldas pela direcção da Renamo. Até a data da assinatura do AGP ascendiam a 5 milhões de dólares.
Estes acordos de proteção complicaram-se quando a África do Sul, principal apoiante da Renamo, colocou a destruição do pipeline como prioridade. Foi então que a Renamo acordou com a Lonrho que pequenos ataques simulados seriam levados a cabo, sem entretanto resultarem em danos consideráveis.
Foi assim que em 1989 a Lonhro pôde colher, na sua plantação do Chókwé mais de 20 toneladas de algodão, um recorde no continente africano. A Lomaco (uma joint-venture com o governo moçambicano) produziu num dado momento a maior quantidade de tomate do hemisfério-sul.
Os custos da Lonrho com a sua segurança representavam perto de um bilião de dólares/ano, mais de 30% dos seus custos operacionais.
Na sua ânsia de fundos a Renamo procurou outros acordos de protecção. Em 1981 aproximou-se do consórcio HCB em Paris prometendo cessar os ataques às linhas de transporte de energia. As negociações foram conduzidas por Jorge Jardim empresário português com antigos interesses em Moçambique, não tendo porém produzido resultados.
Com o Malawi a Renamo assinou o primeiro acordo de protecção em agosto de 1989 que resultou na interrupção temporária dos ataques ao corredor ferroviário de Nacala.
O acordo dava igualmente à Renamo facilidades de trânsito e permissão de realizar comércio trans-fronteiriço de castanha, marfim e pedras preciosas, no Malawi.
Em outubro de 1990 a Renamo e o governo malawiano assinaram um acordo mais formal cobrindo a linha de Nacala. André Thomashaussen da universidade da África do Sul voou para Blintyre para ajudar a Renamo a escrever o dfart do acordo. A demora do Malawi de honrar os pagamentos levou a uma serie de ataques de retaliação por parte da Renamo.
Na sequência das conversações de paz de Roma a Renamo pediu, em dezembro de 1991, 3 milhões de dólares à Lonrho como condição para continuar a colaborar com o processo. Em meados de 1992 pediu 7 milhões de dólares a Manuel Bulhosa empresário português proprietário da refinaria de óleo em Lourenço Marques (hoje Maputo) no período colonial, e mais 6 milhões à Lonrho.
A pré-condição final antes da assinatura do acordo também envolveu avultadas exigências de dinheiro ( entre 6 a 8 milhões de dólares) o que esfriou as relações entre a Renamo e Tiny Rowland.
Rowland que pusera o Hotel Cardoso á disposição da Renamo, mantendo-o completamente encerrado ao público por mais de 1 ano.
O governo italino gastou perto de 20 milhões de dólares com o processo de paz. Uma vez a Renamo gastou 60 mil dólares só de cahamadas telefónicas entre janeiro e julho de 1992, em Roma.
A alguns cheques Roma passou a associar pré-condições: por exemplo, uma vez, Dlakhama pediu um telefone satélite e o governo italiano tornou claro que só lho dava se assinasse um dos protocolos do acordo.
O historiador Alex Vines escreve que “no período pós-guerra exigências públicas e privadas da Renamo, por fundos, continuaram uma caracterìstica das suas relações externas, tanto quanto o foram durante a guerra”.
Acrescenta que “o papel jogado pelos pagamentos financeiros na busca da paz em Moçambique é nalgumas vezes importante para perceber porque razão a liderança da Renamo achou útil continuar a combater mesmo na aus~encia de uma causa social e ideológica coerente”
Ele refere a terminar que “Dlakhama adoptou a estratégia dos impasses por forma a assugurar os seus ganhos financeiros”.
Na verdade o que a Renamo está a fazer é raptar a ordem constitucional e a paz a troco de um resgate. Estará o governo na condição de o pagar?

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Dino Foi 20 tonelas de algodao nao podem ser recorde, houve algum erro.
E eu tenho 2 telefone satelites la em casa para quando estou no mato ou no ar me comunicar com a minha familia, mas se o lider da Renamo quiser eu posso oferecer, juro que nao vou precondicionar nada como os Italianos e pagarei as facturas.
Podemos avancar para questoes especificas?! O pais nao pode parar.


Manuel J. P. Sumbana Eh eh eh. Há exactamente 21 anos, eu e o meu mentor Alex Vines erramos na anàlise. E depois da minha entrevista com o Dlhakas em 93 surgiu o 2o livro. Mas Tiny Rowlands era mais 'Thatcherista' prático. Mas que a Renamo exigia mola, no doubt, Amosse.

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