segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Embaixada americana arroga-se de dar ordens à CNE" - José Ribeiro

Em  http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=12559:coligacoes-negativas-jose-ribeiro&catid=17:opiniao&Itemid=124

Luanda - A campanha eleitoral entrou numa fase decisiva e inopinadamente entraram em cena actores que pertencem a outros espectáculos, com menos luzes da ribalta e sobretudo sem o ridículo próprio das comédias sem graça.
Fonte: Jornal de Angola
Coligações negativas

A democracia angolana tem debilidades e a mais problemática é, sem dúvida, a existência de um jornalismo prisioneiro da falta de princípios. As instituições de classe reflectem esta realidade e são responsáveis pelo alastrar do problema. De uma forma mais aberta ou encapotada, membros do Sindicato dos Jornalistas Angolanos têm estado sempre na origem, no apoio e na amplificação das piores práticas do jornalismo em Angola.

Alguns dos seus dirigentes confundem sindicalismo com oposição. Por isso, em momentos em que soa o apito, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos perde o espaço de parceiro social e surge como organização da oposição, esquecendo que ela também é uma parte importante do poder político. É um alinhamento que não poucas vezes revela mesmo preferências partidárias, o que representa uma inaceitável falta de respeito para com os jornalistas nele filiados.

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos – único organismo poupado nos ataques de Adalberto da Costa Júnior no tempo de antena da UNITA - resolveu entrar na campanha eleitoral reforçando a coligação negativa que se formou na oposição. E entrou na campanha a reboque de um estudo aritmético e infantil sobre o comportamento dos Media, como se um processo social se pudesse reduzir a números. De facto, não há estudo, não há “monitorização” nem seriedade. O “estudo” não passa de um panfleto produzido com dinheiro da Open Society e chancelado pelo SJA. Os números são falsos, a análise primária, as conclusões são tiradas à medida da encomenda.

Esses dirigentes do SJA entraram na campanha eleitoral, não como repórteres, mas como activistas políticos da oposição. Abandonaram as redacções e continuam a receber os seus salários. Vivem de ilusões e de alguns serviços que devem envergonhar a própria instituição que os encomenda. Assinam por baixo, autênticas falsidades. Dizem que o Jornal de Angola não respeita o contraditório. O Jornal de Angola publica, todos os dias, informação essencial sobre as ideias e projectos dos partidos e coligações concorrentes às eleições. A direcção convidou todos os partidos e coligações a publicarem artigos de opinião nas nossas páginas. Até hoje, apenas a UNITA e o MPLA respondem regularmente ao convite. E nós publicamos todos os textos que chegam à nossa Redacção.

O Jornal de Angola criou duas colunas de crítica. Dizer que nesses textos de opinião se promove o ódio é uma traição à liberdade de imprensa. O SJA juntou a sua voz aos que atacam a liberdade de imprensa. Mas como temos um compromisso sério com os leitores, não vamos deixar-nos intimidar. E o exercício da crítica vai continuar porque este é um serviço público e estamos apenas a exercer a nossa profissão.

O “relatório” do Sindicato dos Jornalistas é apenas um exercício de aritmética, pomposamente denominado “monitoria da mídia”. Rejeitamos essa iniquidade e lamentamos que uma instituição que tem a obrigação de defender os jornalistas e o jornalismo, e o esforço nunca antes visto de cobrirem as eleições, se deixe instrumentalizar pela Open Society e por partidos da oposição empenhados em fazer vingar a tese da fraude, muito antes do acto eleitoral.

Também a Embaixada dos EUA em Luanda fez publicar um comunicado impróprio de uma representação diplomática, no qual são feitas afirmações desprimorosas para a dignidade da Comissão Nacional Eleitoral (CNE). A Embaixada americana arroga-se o direito de dar ordens a uma instituição angolana independente. O embaixador dos EUA ordena à CNE: “cumpra cabalmente as suas responsabilidades para com o povo Angolano, credenciando imediatamente os observadores eleitorais”.

Alguém tem que explicar ao senhor embaixador que por muita vontade que tenha em interferir nas eleições num país soberano como Angola, tem que salvar as aparências.

Aproveitamos para lhe recordar uma frase do Presidente Obama, de Janeiro de 2011, que os serviços da Embaixada reproduzem nas suas notas à imprensa: “podemos ter divergências de política, mas todos acreditamos nos direitos consagrados na nossa Constituição”. Respeite a nossa Constituição, as nossas instituições democráticas e o povo que representa.

Mais grave do que as ordens que deu à CNE, foi a justificação invocada pelo diplomata para divulgar o “comunicado”. A Rádio Despertar, da UNITA, deu a “notícia” de que a CNE rejeitou o pedido de credenciação do embaixador McMullen para observar as eleições. Foi uma notícia encomendada para justificar o comunicado da Embaixada.
As organizações incompetentes e sem credibilidade recolhem dados falsos e produzem maus relatórios, prestando um mau serviço a toda gente, até aos diplomatas.

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